Educação pela cidadania e pela paz
(Professor Clementino Siqueira)
A sociedade atual valoriza sobremaneira a educação como um processo democrático, de prestação de serviços onde se transmite o sabor da vida, a riqueza de experiência e ações positivas. Para que não se difundam práticas discriminatórias, é importante que não se confunda educação com escolarização. Esta compreende o conjunto de saberes adquiridos na escola formal; aquela é bem mais complexa, haja vista compreender valores como cultura, princípios, cidadania, ética e solidariedade, os quais são adquiridos através da família.
Seja com relação ao processo de educação ou de escolarização é preciso dizer que ambos necessitam da parceria entre família e escola. Isso significa dizer que não se pode desligá-los, pois enquanto a família educa, oferecendo bons valores e princípios, a Escola instrui, através dos saberes socialmente difundidos, além daqueles exigidos para a formação intelectual e cidadã dos alunos. Para isso, é necessário que os saberes formais que a família pretende dar a seus filhos estejam sempre em sintonia com a proposta pedagógica da Escola, já que é a partir dela que se parte para a formação desses alunos.
Sob esta ótica, acredita-se que educação e cidadania são articuladas de maneira a gerar as condições fundamentais para se obter as transformações de que a comunidade necessita. A ação educativa deve levar o aluno a se questionar sobre si e a realidade social em que se encontra e descobrir ser capaz de transformá-la. Desta forma, a educação estará atingindo o seu principal objetivo.
Os moldes do processo de escolarização, hoje, encontram-se bastante diferentes, sobretudo no tocante à visão de professor e aluno. O professor, que antes era total detentor dos saberes, hoje passa a contruí-los em parceria com os alunos, sendo que estes interagem ativamente nesse processo, discutindo, questionando, inferindo, enfim, construindo diferentes aprendizagens juntos.
Além disso, a educação moderna conta com o auxílio da tecnologia como forma de ampliação e praticidade no momento da formação educacional. Como consequência, pode tornar melhor e mais ampla a aprendizagem, desde que o uso desses recursos seja sempre orientado com bom senso. Hoje, o aluno pode vivenciar, na prática aquilo que aprende, pois sabe onde pode buscar os meios para alimentar o seu intelecto.
A antiga “decoreba”, aos poucos, perde espaço para a aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos, daí a razão pela qual a aprendizagem deva ser constantemente atualizada. Para isso, tanto Escola quanto Família devem auxiliar os jovens a desenvolverem habilidades e competências. São elas que na educação atual farão a diferença. Cabe ao professor-educador o papel de orientar a aprendizagem, atualizar-se para que acompanhe efetivamente o desenvolvimento do educando.
Outrossim, é inegável que a Família, cada vez mais assoberbada de compromissos profissionais, tende a afastar-se da Escola. Aqui, o processo educacional moderno facilita a vida dos familiares que, mesmo sem saírem de casa podem saber o que o filho estudou na Escola, tarefas, aulas, roteiros de provas, ocorrências do dia, além de poder acompanhá-lo através de câmeras. Embora todas essas maravilhas tornem prática a vida das famílias, é mister frisar que nada substitui o contato pessoal com a equipe de professores, pedagogos, psicólogos e outros profissionais de que a escola dispõe para atender com eficiência às demandas dos jovens e de seus familiares. Por isso, é preciso que a família sempre esteja presente às reuniões, aos encontros e festividades promovidos pela escola para que os filhos sintam-se apoiados e supervisionados.
Vê-se que a escola , por todas as funções que desempenha, não deixa de ser uma prestadora de serviços e como tal, para serem bem feitos, exigem profissionais qualificados, atualizados, disponíveis, além de uma equipe técnica de assessores, orientadores, psicopedagogos, psicólogos, pedagogos e nutricionistas para o acompanhamento das práticas educativas no cotidiano dos alunos.
Diante do exposto, constata-se que o valor da Educação, no mundo contemporâneo, marcado pela universalização do conhecimento e globalização da economia, requer pessoas com capacitação tecnológica suficiente para que façam jus à promoção humana, à inclusão social e à plena cidadania e disseminação da paz. Educação significa educar para a sociedade, para a convivência social e, enfaticamente, para a cidadania e para a paz, exercício dos direitos e deveres do cidadão e consciência em ser agente do seu crescimento pessoal e coletivo.
Assim, cabe tanto à Escola como à Família formar o cidadão ética e moralmente, habilitando-o para a vida, e como objetivo maior, prepará-los para o pleno exercício de seus direitos: direitos humanos, civis, sociais e políticos. Acredita-se que investir em educação é investir em um futuro de paz e de cidadania.
*Professor Clementino Siqueira, é Diretor do Grupo Pro Campus e especialista em Educação.