Da redação:
Eu e Seu João
No ano passado, em uma de minhas colunas, relatei da felicidade que senti com a campanha de aniversário do Paraíba. O mote era: “A gente é igualzinho a você”. Eu tava numa crise de auto-estima danada. E ver aquele anúncio pra mim foi mesmo que passar manteiga em venta de gato. Me lembrei de uma saga que enfrentei quando botei um estacionamento na Avenida Marechal para ganhar um dinheirim com a Micarina. A Elisabeth Sá, que na época tinha uma coluna no Jornal O Dia, escreveu uma nota me chamando de “Flanelinha”. Fiquei mais encabulado do que cachorro andando de canoa!
Apois bem. O tempo passou e o que veio? Seu João começou a cobrar 1 real no estacionamento dele lá no Teresina Shopping. Aí deu bom pra mim! Se eu era o Flanelinha, ele agora era Flanelão.
Outra vez, cá estou eu na fase depressiva da minha bipolaridade. Vivo me perguntando o porquê de muita coisas. Por exemplo: vi, no TRE, o patrimônio milionário de muitos políticos profissionais que nunca deram um prego numa barra de sabão. E adoeci de tanto me perguntar por que que eu não consigo juntar nada vendendo, de sol a sol, pecinha de bicicleta e alugando meus quartos (os do Afrodite e os do Garden).
Do que eu preciso?
Aí lá vem a nova campanha de aniversário do Paraíba: “Do que você precisa?”. Corri pro telefone pra ligar pra Dona Ivonete, secretária do Seu João, pra ele me ajudar a resolver o meu problema. Do que eu preciso, Seu JOão? DE UM “D.A.S” NO GOVERNO!!!
E quero um no governo do João Vicente. Mas não guento esperar mais. Enquanto janeiro num chega, Seu João precisa me arrumar um D.A.S pra eu ir escapando. Pode ser na Prefeitura de Teresina. Detalhe: como não sou egoísta, quero ajeitar também os meus. A minha equipe sou eu, mais o Thomas Teixeira, o João Silva Neto, o dr. Helder Eugênio, o Genésio Araújo Pai e, pra completar, o Magno Pires da Catraca e o Jurity.
Lembrança
“Só lembraaaaançaaaas, só lembraaaaançaaaas, Só lembraaaaanças e nada maaaaiis...”. Esta garapa aí não é minha. Foi escrita e penosamente cantada pelo Charles Aznavour da MBB (Música Brega Brasileira), Bartolomeu da Silva, o grande Bartô Galeno. Trata-se, sem dúvida, de uma das mais belas páginas do cancioneiro popular.
Trago este pedacinho de música para puxar o rosário das minhas muitas lembranças. E já me preparando pra falar de uma em especial. Muitos acontecimentos colam em minha cabeça que nem catarro gruda em azulejo. E haja é unha pra arrancar!
Corria o ano 2000 e a campanha eleitoral para prefeito de Teresina estava a pleno vapor. De um lado, o Firmino, que na época ainda tinha até cabelo, disputando a reeleição. Fazia uma campanha rica. Tanto tinha bala ele como os seus candidatos a vereador. Só citando alguns: Fernando Said, Rodrigo Ferraz, Francisco Nogueira, Edson Melo, Renato Berger e outros menos votados. Do outro lado, eram os pobrezinhos do PT. Dava era pena. Começando logo pelo Wellington Dias, candidato a prefeito, seguindo pela Trindade, que pelejava pra ser vice.
E, se os candidatos majoritários petistas eram lisos... Meu Deus!... Que dirá os candidatos a vereador? Pobres de mavé. No andar e no vestir. No bolso, então, nem se fala! Vixe!... Só de me lembrar já encho de água estes belos olhinhos que mamãe me deu. Tenha paciência minha leitora e meu leitor! Tô emociado! Mas, com os zói marejado e tudo, eu hei de botar até o fim desta história triste.
Levaram meu dinheiro!
Apois bem. Ainda naquela campanha, certo dia eu atravessava a Avenida Centenário, com frente ao Diário do Povo. Olhando para a esquerda, pra não ser atropelado, vi que se aproximava um Fiat 147 cor de bosta serenada. O bicho vinha fazendo barulho e fumaçando que mais parecia um caminhão FENEMÊ. Do lado do motorista, eu não me lembro quem vinha. Mas, do lado do carona, eu não esqueço. Ainda hoje é mesmo que eu tá vendo! O cabôco vinha agarrado na porta do Fiat feito tirador de côco, com os dois pé e as duas mão. Eu não sei se ele vinha era segurando a porta ou se tava meio pra fora porque não cabia direito dentro do carrim. Pra minha infelicidade, ele me avistou. Não deixou nem o carro véi parar direito e já saltou na calçada com uma prancheta na mão. E caminhou no meu rumo. O cabôco véi vinha fedendo a gasolina e com os óculos remendados com durepóquisse. Aí veio com uma história mole de que eu tinha que ajudar a campanha dele, assinando o papel véi que vinha grudado na prancheta e colaborando com qualquer quantia. Era o então candidato a vereador pelo PT Roberto John.
De longe eu tava sentindo pena do desinfeliz. Ser candidato naquela penúria era de lascar. Mas, quando ele veio ferrar meu dinheirim, tão pouquim e que tava tão quetim no meu bolsim, eu fiquei logo foi com ódio. Mas ainda dei 10 reais pra campanha dele.
Fui Inganado
Quando ele virou as costas com o meu trocadim no bolso, espiei na traseira do carro e vi o nome FIAT. Parece que tinha sido escrito pra mim: F.ui I.nganado A.gora é T.arde. Joguei uma praga nele: “Que a porca te coma, infeliz, com tripa e tudo. E que tu tenha 7 anos de azar feito quem mata urubu...”. Ôôôôô boquinha abençoada esta minha!!! Ôôôô santim forte este meu!!! Apurado os votos, deu do jeitim que eu encomendei!!!
Fazendo lama
Mas, segundo o SETUT, tudo é passageiro. Menos o cobrador e o motorista, é claro! De lá pra cá, os ventos mudaram de direção. E sopraram a favor do PT. Não sei financiados pelo dinheiro de quem, mas é de encher as vistas os carrões possantes em que conhecidos e badalados petistas fazem suas campanhas agora. O carro mais fraco é uma tal de Pajero. E tem tanta Hilux que elas andam é peitando umas nas zozôta.
Feliz de mim! Os petistas não precisam mais de dinheiro duns pobres coitados da minha iguala. Eles, agora – diiiizem as más línguas - andam é dando!
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Twitter: @damasiodanilo