Da Redação
Dionísio Carvalho
O jornalista da Rede Globo, Francisco José, em visita ao Piauí para ministrar uma palestra sobre “Reportagens especiais”, fala sobre o registro feito na Serra Vermelha fazendo críticas ao Governo e Projeto Energia Verde, e diz ainda que denunciou apenas a realidade.
O repórter em sua palestra falou que é importante se ter um ecojornalismo voltado para as questões ambientais no país, e destacou que deve se “pular todos os obstáculos” para se fazer uma boa reportagem, (o caso da Serra Vermelha).
“Eles não tinham o direito para desmatar, e nem o governo de incentivar oferecendo incentivos fiscais para fazer isso, pois estavam cometendo um crime. E eu fui lá e denunciei. Eu não sou contra A e nem contra B eu mostro a realidade.”, falou o jornalista.
O programa Globo Repórter exibiu durante oito minutos uma reportagem sobre a Serra Vermelha, no dia 26 de janeiro de 2007, e mobilizou ONGs e o país. O programa rende repercussão até hoje no Piauí.
A justiça começou as investigações e as supostas irregularidades do negócio e de seus sócios. Serra Vermelha passou a ser um assunto de interesse nacional e internacional. Ambientalistas, cientistas, pesquisadores, políticos, jornalistas, estudantes, formadores de opinião e populares se manifestaram contra o projeto.
O jornalista em suas fala citou um dos momentos decisivos durante a reportagem onde foi feita uma pergunta para o fiscal do IBAMA, onde o funcionário do governo disse que o suposto manejo era “legal”.
“Perguntei: Se o pequeno agricultor não pode queimar um hectare, mas para fazer carvão você pode queimar 100 mil hectares? A fala dele foi que mostrou tudo, e as imagens eram muito evidentes.”, disse.
Francisco José comentou ainda sobre o biodiesel e considera importante a implantação de alternativas que sejam em prol do meio ambiente, mas fez ressalvas quanto ao cuidado com o plantio da mamona para que este não prejudique o meio ambiente.
“O Piauí é um estado privilegiado com a área da Serra das Confusões, Serra Vermelha, e a Serra da Capivara sendo lugares muito ricos, e seria um desperdício tirar toda aquela área para plantar mamona, ou qualquer tipo de cultura.”, disse.