O “paraíso” dos maconheiros: a Holanda

A palavra maconheiro está dicionarizada e é um adjetivo que trata sobre a pessoa que consome maconha. Ou seja, se você fuma a cannabis sativa (nome científico da droga) você é maconheira ou maconheiro. Aqui não nos cabe julgar se é certo ou errado fumar maconha, apesar de, pessoalmente falando, não consumir e não gostar de nenhum tipo de droga, inclusive o álcool.
Um dos lugares que sempre despertou minha curiosidade foi a Holanda. Seus canais, seu povo, sua cultura, sua história e, principalmente, seu ambiente, teoricamente liberal, tornaram esse país um dos destinos mais desejados. Após conseguir uma promoção aérea com passagens a menos de R$ 250 (ida e volta) fui conhecer a terra de Vicent Van Gogh (e seu maravilhoso museu, essa é outra história).

Passei alguns dias na Holanda (entre duas viagens) e pude, principalmente, desmistificar uma das maiores famas do nobre país que tem sua capital abaixo do nível do mar: tida como o país dos maconheiros.

Para minha surpresa: o holandês é uma das populações que menos fuma cigarro na Europa. Digo, com certeza há regiões brasileiras em que a peste do cigarro é muito maior do que nos Países Baixos (como também é conhecida a Holanda).

Andei em várias ruas de cinco cidades da Holanda, inclusive sua capital, a maravilhosa Amsterdã. Em todas essas andanças, por incrível que pareça, só viu uma pessoa fumando maconha e senti o cheiro da droga em outro lugar, mas não vi ninguém consumindo. Qualquer andada em uma rua de uma grande cidade do Piauí ou de São Paulo (estados no Brasil que vivo e estudo) esbarro, no mínimo, umas três vezes com pessoas consumindo essa ou outras drogas. Ou seja: na Holanda, o “País dos Maconheiros” uma das coisas que menos vi foi maconheiros.

Mas, peraí, não existe maconha, etc e tal…? Existe sim…na Holanda e muito (como em quase todos os países do Mundo). O que diferencia os Países Baixos da maioria das outras nações é que lá a venda de maconha é “liberada”. Outro mito que precisa ser esclarecido. Essa liberação é aspeada. Ninguém pode consumir a droga em qualquer lugar da cidade. Isso é feito nos famosos Coffee Shops, locais específicos para isso. Lá você tem um cardápio e vários produtos. É como um bar, onde o produto principal é a maconha.

Passei por uns 20 coffee shops e vi poucos abertos (parece que estão em crise). Nos que estavam abertos somente um estava mais ou menos cheio de pessoas. Sinceramente: pelo inglês americano e outras línguas que falavam ali seus frequentadores, por suas roupas típicas de turistas e indumentárias não se pareciam nada com holandeses. Provavelmente são os famosos e odiados por boa parte dos holandeses: turistas da maconha. Pessoas que vêm do Mundo afora atraídos pela possibilidade de “fumarem livremente” a droga ou então, como qualquer turista: conhecer uma peculiaridade regional ou algum espaço exótico.

O que concluímos: que na Holanda o mais importante é ter a liberdade de poder consumir a droga e não que ali seja um recinto de maconheiros (como muitos apregoam mundo afora). Nota-se que ter a liberdade de fazer é o principal motivo da liberação, mas que se o holandês o faz é em um ambiente bem restritivo, em sua casa, em seus ambientes mais íntimos e não nas ruas, nos coffee shops: isso é mais para algumas pessoas que querem fazer-se de liberais ou então o têm como atração turística.

Outra conclusão é que o holandês não gosta muito de falar desse assunto (isso envergonha uma maioria), inclusive sendo explicitamente proibido em muitos lugares o fumo (isso mesmo: PROIBIDO fumar qualquer coisa). E o mais interessante: atualmente na Holanda, em vez da abertura da legalização, como muitos apregoam, há uma restrição nos coffee shops, ou seja, para acabar com o turismo da maconha.
Os holandeses querem continuar sim com a liberdade de poderem fumar o que quiserem, mas isso não significa que querem fumar. E, mais detalhe ainda: somente seus cidadãos podem ter tal liberdade.

1 Comentário(s)

  • Orlando, Parabéns!
    Suas matérias são legais.
    Quero fazer um comentário que talvez você discorde, mas é o seguinte:
    A proibição da droga no Brasil faz com que cresça o trafico, foi assim na época de Alcapone no EUA. O que é proibido é vendido no contrabando e tem um alto preço.
    No Brasil a venda de maconha e todas as outras drogras são proibidas. Proibidas?
    Chega até ser uma hipocrisia.
    Festas reive (se é assim que se escreve?) e outras feztas como o nosso forró no nordeste chega se utilizarem ao vivo e em cores.
    Estava conversando com um dono de bar na cidade de Aroeiras do Itaim(PI), e ele me disse o seguinte:
    Que iria fechar o bar, pois quando coloca festa, pensando que vai vender bebidas e cobrar a entrada, o que ele ver são os jovens no lado de fora do clube, cheirando “Ló, Ló”, fumando crack e/ou maconha. E o bar fica no prejuizo, pois não vende nada.
    Orlando, Aroeiras do Itaim cabe dentro de uma praça de Amsterdã(Holanda), é muito pequena a cidade para ter isto. E eu mesmo vi com os meus olhos cenas horripilantes. Fiquei com tanto medo que peguei minha mulher e filho de dez meses e sai de lá correndo.
    Não temos a cultura, a visão que um holandes tem, a grande massa não sabe o que é civilização, nem o poder publico se interessa em resolver.
    Um país que diz que a droga é proibida e tem várias “Cracolândias”, é a mostra da “BESTIFICAÇÃO DOS POLÍTICOS LEGISLADORES”
    Mais uma vez, Orlando, Parabéns!

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