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A neve da Europa e as favelas do Brasil

Da neve às favelas – Foto: Orlando Berti

Neste último final de semana eu conheci neve. Isso mesmo! Estou igual a menino do buchão que ganha presente de Natal, daqueles desejados há um bom tempo. Isso é potencializado principalmente porque nascemos e fomos criados no meio do Sertão nordestino, com o nosso solzão de muitos e muitos graus, entre Oeiras e Picos.

Engraçado: falar de neve parece ser um negócio bem besta e mais besta ainda é falar que conheci isso. Mas é apenas uma linha de raciocínio para a crônica deste início de semana.

Isso se dá porque vejo por cá a mesma curiosidade que tinha em conhecer neve a mesma que os europeus têm de conhecer as nossas favelas. Isso mesmo: praticamente todas as vezes que falo que sou do Brasil para uma pessoa que não conhece o Brasil um dos principais motivos de interesse dos gringos aqui é que fale sobre favela.

Parte dessa curiosidade sobre as favelas para eles, que estão fartos de neve, é alimentado pelas novelas da Globo (um dos principais produtos de exportação cultural brasileira – se é boa ou não – cenas para as próximas discussões – juntamente com a história dos jogadores de futebol do Brasil – geralmente vindo de famílias simples e às vezes miseráveis no Brasil). A romantizada favela é motivo, inclusive, desse tipo de conjunto urbano seja um programa inevitável para os gringos.

A reflexão é de que o diferente nos instiga. Se nós, sertanejos, não conhecemos a neve, os gringos querem conhecer favelas, querem ver miséria. O mais paradoxal disso, sem condenar esse desejo europeu, é que a miséria também vem tomando conta do Velho Continente. Miseráveis, pessoas morando em lugares alijados não é mais um “privilégio” brazuca. A crise econômica das economias tradicionais tem nos igualado e nos dado uma série de lições: a principal delas é ligarmos o sinal de alerta sobre consumismo, financiamentos exagerados e gastos públicos.

Sim…a neve é branca, é gelada e eu me diverti como não me divertia há 20 anos, mas continuo bem preocupado com a crise econômica. O mais novo escândalo aqui na Espanha é que enquanto o país está afogado na crise o seu rei estava em caçadas de animais na África (cada uma custando mais ou menos R$ 100.000,00 apenas para poder matar elefantes).

Até a próxima, agora sob o sol do Mediterrâneo (em épocas de Primavera europeia: um pouco menos quente do que o sol do Sertão do Piauí).

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