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Dados do Censo Escolar do INEP indicam que 96,5% das escolas públicas do Piauí possuem acesso à energia elétrica. Apesar disso, a climatização das salas de aula ainda não é uma realidade para a maioria dos estudantes da rede pública, em um estado que figura entre os mais quentes do país. A situação tem impacto direto no aprendizado e nas condições de trabalho de professores.

Atualmente, pouco mais de 40% das escolas da rede estadual estão climatizadas, segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado do Piauí, que estabeleceu como meta a universalização da climatização até 2026. Especialistas e representantes da comunidade escolar, no entanto, apontam que o desafio vai além da compra de aparelhos.


Para o advogado eleitoral Wallyson Soares, o cenário evidencia a necessidade de mais planejamento e coordenação entre políticas públicas e execução das obras:

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“No Piauí, a climatização das salas de aula não pode ser tratada como algo supérfluo. Em um estado de altas temperaturas, é uma condição básica para o processo de aprendizagem. O desafio está em planejar corretamente e executar obras compatíveis com essa realidade”, afirmou.


Segundo ele, a discussão precisa considerar não apenas a compra de equipamentos, mas também a estrutura necessária para que funcionem de forma adequada:

“A política pública precisa ser pensada de forma integrada. Não basta instalar aparelhos se a estrutura elétrica não acompanha. Caso contrário, o investimento perde eficiência”, explica.


O calor excessivo nas salas de aula compromete o rendimento escolar e afeta a saúde de estudantes e profissionais da educação, especialmente nos períodos mais quentes do ano. Professores relatam dificuldade de concentração, estresse térmico e episódios de mal-estar durante as aulas.


Essa realidade ganhou maior visibilidade após um episódio registrado em uma escola do interior do estado, quando a professora Verônica Martins, da rede municipal de Nazária, gravou um vídeo tentando amenizar o calor jogando água no chão da sala de aula. Na gravação, ela descreve o ambiente como insalubre:

“Aguando a sala para ver se eu consigo pelo menos dar aula nesse fogo, nessa air-fryer, porque ar-condicionado nas salas de aula do Piauí não seria luxo; é necessidade. Nós trabalhamos em um ambiente insalubre. Esse calor é desumano”, disse a professora.


Na avaliação de Wallyson Soares, o debate público sobre o tema precisa avançar para além da repercussão momentânea e resultar em medidas estruturais e permanentes. Ele defende que as soluções passem por planejamento técnico, fiscalização do uso de recursos públicos e articulação entre diferentes órgãos.


Entre as medidas apontadas estão a modernização da rede elétrica das escolas, o acompanhamento da aplicação de recursos do FUNDEB, o diálogo institucional com a ANEEL e a Equatorial Energia para adequação da carga elétrica em prédios públicos, além do incentivo ao uso de energia solar como alternativa para reduzir custos e ampliar a capacidade de climatização.


“O Piauí é um estado quente por natureza. O que não pode ser tratado com indiferença é a dignidade de quem estuda e trabalha nas escolas”, conclui.

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