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Após ataques, agência do BB de Jaicós funciona sem dinheiro em espécie

O Banco do Brasil confirmou nesta quinta-feira (8) ao portal O DIA que sua agência na cidade de Jaicós, que foi atacada por criminosos na madrugada do dia 31 de janeiro, não realizará mais transações financeiras com dinheiro em espécie, tanto nos caixas eletrônicos quanto nos atendimentos feitos pelos bancários.

Além de Jaicós, a medida também está sendo adotada em pelo menos mais duas agências do BB atacadas nos últimos meses – a de Angical e a de Castelo do Piauí. E o banco não descarta adotar estratégia em outras cidades onde seus postos também foram atacados.

Cartazes na agência de Jaicós
Agência do BB de Jaicós

Segundo a assessoria de imprensa do Banco do Brasil no estado, trata-se de uma medida de segurança para evitar novos ataques. “O banco não vai fechar a agência. O que está acontecendo é que a configuração da agência está mudando, por conta desse tipo de crime que tem acontecido contra a instituição. A agência de Jaicós agora passará a ser vinculada à agência de Picos, e ela não terá mais atendimento com dinheiro em espécie. Não terá dinheiro em espécie nos terminais [eletrônicos] nem nos caixas. No entanto, a agência funcionará normalmente em todas as outras transações”, detalha Sávio Rodrigues, assessor de comunicação da Superintendência do Banco do Brasil no Estado Piauí.

Levantamento feito pelo banco indica que, só no Piauí, dez agências foram atacadas por criminosos nos últimos meses: em Pio IX, Francisco Santos, Santa Cruz do Piauí, São Miguel do Tapuio, Curimatá, Castelo do Piauí, Inhuma, Jaicós, Angical e Castelo. Algumas das agências ainda não foram reconstruídas após os ataques.

Ainda de acordo com o assessor Sávio Rodrigues, os clientes que moram nas cidades onde as agências não dispõem mais de dinheiro em espécie terão que procurar outras agências, caso precisem das notas de papel. A mais próxima de Jaicós, por exemplo, é a agência de Picos, que fica a cerca de 50 km.

A assessoria de imprensa afirma, ainda, que o banco faz sua parte no que se refere à segurança. “O Banco do Brasil investe pesadamente em segurança privada, da porta para dentro. O plano de segurança do banco é homologado pela Polícia Federal, que é a autoridade competente pra isso. Se o banco não tivesse um plano de segurança a Polícia Federal nem autorizaria a abertura das agências. É bom deixar isso muito claro. O Banco do Brasil cumpre todos os dispositivos legais que são exigidos, como a instalação de câmeras, portas giratórias e a presença de vigilantes. Infelizmente, essa força brutal que tem se apresentado contra as agências bancárias tem sido muito superior àquilo que o banco pode oferecer de segurança privada”, afirma Sávio Rodrigues.

Em pronunciamento na Câmara Federal, o deputado Júlio Cesar (PSD) lamentou o suposto fechamento da agência de Jaicós. Até então, o parlamentar ainda não sabia que a agência apenas passaria por uma “reconfiguração”, conforme classificou a assessoria, deixando de ter dinheiro em espécie em seus cofres.

No pronunciamento na Câmara, Júlio Cesar afirmou que a população não pode ser prejudicada por conta da falta de segurança. Ele lembra que a agência do Banco do Brasil de Jaicós também é utilizada por moradores de outras cidades vizinhas, como Padre Marcos, Campo Grande, Massapê, Patos e Belém do Piauí.

“A soma da população de todos esses municípios dá mais de 60 mil habitantes, e [caso feche a agência de Jaicós] vão deslocar todo mundo pra agência de Picos, que fica a 45 km de distância”, ponderou Júlio Cesar.

O ataque em Jaicós

Além da agência do BB, na madrugada do dia 31 de janeiro os assaltantes também atacaram uma casa lotérica e a agência dos Correios, que funciona como banco postal.

Mais de uma dezena de homens teriam agido no crime. Eles fizeram algumas pessoas reféns e usaram explosivos para arrombar os terminais eletrônicos.

Em 2017 houve 20 ataques a agências no Piauí, segundo sindicato

O Sindicato dos Bancários do Piauí afirma que houve 20 ocorrências de assaltos ou explosões de agências bancárias em 2017 no estado, sendo 16 no interior e quatro em Teresina, além de uma em Timon (MA). O Banco do Brasil, o Bradesco e a Caixa são os alvos mais frequentes.

Em 2018, até agora, já foram contabilizadas sete ocorrências: em Altos, em Patos, em Jaicós, em Cocal (duas), em Angical e em Castelo do Piauí.

“O Sindicato dos Bancários reitera que tem lutado e reivindicado para que os bancos garantam melhores condições de trabalho e segurança para seus empregados e clientes. O sindicato vem cobrando a efetiva implementação da Lei Estadual nº 6.168/2012, que estabelece vários dispositivos de segurança, entre os quais o sistema eletrônico de monitoramento e gravação interligado com uma central da Polícia Militar”, afirmou a entidade, por meio de nota.

No final de 2016 o Banco do Brasil iniciou um processo de reestruturação para conter despesas, que culminou com o fechamento de pouco mais de 400 agências bancárias, bem como o desligamento incentivado de mais de 9.400 empregados.

Por: Cícero Portela / Portal O Dia

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