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Após corte do Governo, Universidades Federais devem parar suas atividades

Reitores de diversas instituições de ensino superior são unânimes em afirmar que será impossível manter as atividades durante todo o segundo semestre, algumas já em setembro

O corte anunciado pela dupla Bolsonaro/Weintraub de 30% das verbas do orçamento destinadas às universidades deve levar à paralisação das suas atividades em todo o País; reitores de diversas instituições de ensino superior são unânimes em afirmar que será impossível manter as atividades durante todo o segundo semestre, algumas já em setembro.

O reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, diz em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o corte “praticamente inviabiliza a universidade”. A UFF foi uma das três instituições acusadas pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, de “balbúrdia”. “Com esse corte, vamos, mal, só pagar conta. E tem de sobrar para pagar água e luz. Se não, nem abro a porta”, afirmou o reitor, que também reclamou da falta de interlocução da atual gestão com as instituições de ensino e criticou a punição por questões políticas.

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) também anuncia que poderá encerrar suas atividades. Nota emitida pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais informa que as atividades podem ser encerradas em toda a Universidade caso o corte de 30% na verba da educação se concretize. O Centro Acadêmico Florestan Fernandes, responsável pelas Ciências Sociais da UFPel anunciou na noite da última quinta-feira (2) em sua página do Facebook que caso o corte de 30% na verba destinada para a educação seja concretizado, a UFPel encerrará suas atividades em setembro.

A posição oficial da reitoria sobre o assunto é de que, se não houver recuo por parte do governo nessa medida, a UFPel fechará suas portas até setembro deste ano.

O bloqueio de verbas anunciado pelo MEC representou a perda de R$ 48 milhões para a Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2019. O corte já foi aplicado e pode levar à interrupção das atividades da universidade no segundo semestre.

A Universidade Federal de Santa Maria também se encontra ameaçada. “Estabelecemos como prazo para funcionamento da Instituição até setembro. A situação é muito séria, alarmante e preocupante”, afirmou o reitor, Paulo Burmann, em entrevista à Rádio Progresso de Ijuí (RS).

No mesmo sentido, o reitor da Universidade Federal de Goiás, Edward Madureira, diz em entrevista à CBN que a instituição não chega ao final do ano letivo depois de cortes. Com os cortes anunciados pelo governo, “não há possibilidade de administrar a universidade e chegar ao final do ano letivo”.

A crise gerada nas universidades por falta de verbas, agravada pelo anúncio dos cortes pelo governo Bolsonaro é motivo de ações de protesto. A União Nacional dos Estudantes e entidades estudantis de diferentes estados estão organizando mobilizações.

Por seu turno, preocupadas com os ataques à autonomia universitária, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) decidiram instalar uma comissão conjunta.

O presidente da Andifes, reitor Reinaldo Centoducatte (UFES), explica que a comissão viabiliza um ambiente para a análise jurídica no campo da autonomia. “Discutir autonomia universitária é discutir os rumos da educação no Brasil e a defesa da democracia”.

Centoducatte ainda explica que a criação da comissão é resultado de objetivos comuns entre a Andifes e a OAB. “A autonomia é uma referência democrática, um tema muito caro para as universidades federais”. “Nosso objetivo é fomentar o respeito pela universidade, mas não apenas. Somos representantes da sociedade na defesa da democracia”, afirmou o vice-presidente, reitor João Carlos Salles.

Brasil 247

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