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Cultura

As necessidades urgentes de políticas de Cultura para o Sertão do Piauí

Necessidade de políticas de cultura para o Sertão do Piauí.
Necessidade de políticas de cultura para o Sertão do Piauí. Imagem ilustrativa.

Por Orlando Berti

É quase unânime a opinião pública de que é premente no Sertão do Piauí uma maior necessidade de valorização da Cultura. Mais necessário, ainda, é a implementação de políticas públicas para essa importante área.

Quem não ouviu a máxima sertaneja piauiense: “aqui a única diversão pública cultural é um bar: para se beber, fumar e falar mal da vida alheia!”. Diversão esta regrada quase sempre de drogas lícitas (bebidas e cigarros), e, cada vez menos raro: das já comuns carreiras de cocaína e crack (ultimamente ganhando um novo elemento: óxy, sem se falar nas alurdidas drogas sintéticas).

É muito mais fácil encontrar um lugar que venda maconha ou cocaína no Sertão do Piauí do que um teatro, cinema, livraria ou espaço que se possa discutir e refletir a sociedade. Aliás: teatro? Cinema? Para a maioria dos sertanejos piauienses são palavras conhecidas, no máximo, via televisão (outra forma, infelizmente, quase única de propagação da cultura, ou de uma cultura que não reflete exatamente os anseios de quem está nessa parte do País).

Em todo Sertão do Piauí há grupos teatrais, quase a totalidade mantida pela colaboração dos seus próprios atores, há boas idéias de projetos alternativos para estímulo à Cultura.

Raramente há apoio das prefeituras, câmaras de vereadores, parlamentares estaduais ou federais, nem muito menos do Governo do Estado ou Federal. E o que falar da iniciativa privada? Para essa: cultura é apenas show de forró, muitas vezes do pior tipo de forró (ávido em discriminar mulheres e a exaltar beberagens e outras não-contribuições culturais para nosso povo).

Não defendo aqui a pureza da cultura, pois ela é dinâmica, tem de ser popular em seu sentido máximo, mas tem de ser múltipla, abrangente, educadora e reflexiva, isso, infelizmente, tem investimento de poucos centavos (ou frações de centavos) para o Sertão do Piauí (logo essa região que é tão ávida por melhorias de todos os tipos de políticas públicas).

Defendo projetos de políticas públicas em cultura, não que tratem o habitante do Sertão como coitadinho ou idiota, mas que entenda suas interfaces e, em conjunto com isso implemente novas perspectivas de evolução social.

 O desafio é para os agentes culturais políticos, sociais, universitários, comunitários e incomodados com a situação.

 Fica a reflexão e, principalmente, a polêmica. Ou todos se calarão e acharão normal tal situação?

 Orlando Berti é jornalista, professor universitário, pesquisador, extensionista, doutorando em Comunicação Social pela UMESP – em São Paulo – SP e jornalista colaborador do RiachãoNet.

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