Atrasos em rapasses do governo para bancos e planos de saúde somam cerca de R$ 200 milhões
- Centrais sindicais reuniram-se nesta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Piauí para cobrar explicações sobre a negativação de servidores, causada pelo não repasse de empréstimos consignados e planos de saúde retidos na folha.
- O montante total da dívida estatal atinge R$ 200 milhões, sendo R$ 20 milhões destinados ao IASPI/PLAMTA, enquanto o governo estadual justifica o atraso alegando um déficit projetado de R$ 900 milhões para 2024.
- Representantes bancários contestam a gestão financeira do governo, denunciando que quatro instituições financeiras já judicializaram a questão e suspenderam operações devido ao descumprimento recorrente de acordos de pagamento estabelecidos pela administração pública estadual.
Nesta segunda-feira (16), diversas centrais sindicais se reuniram com os secretários do governo e parlamentares na Assembleia Legislativa do Estado do Piauí para discutir a situação dos servidores do Estado que tiveram seus nomes negativados após o atraso do governo nos repasses bancários. Em apenas um sindicato, cerca de 60 servidores receberam uma carta de notificação informando o atraso de cinco parcelas do empréstimo consignado, que deveria ser descontada direto da folha de pagamento. O valor total em atraso somam cerca de R$200 milhões, sendo R$ 20 milhões para os planos de saúde IASPI/PLAMTA.
Segundo Geane Sousa, diretora do Sindicato em Estabelecimento de Saúde do Piauí (Sindespi), os sindicatos estão a cerca de três meses tentando conversar com o governo. “As notificação estão sendo recolhidas para fazermos uma consulta no SPC/Serasa, para termos o número concreto de quantos servidores estão registrados com “nome sujo” e poder tomar as providências adequadas”, conta.

O Secretário Antônio Luís dos Santos, da Secretaria da Fazenda, afirma que desconhece o fato. De acordo com ele, o Estado está com dificuldades, principalmente com a folha de pagamento, que é a prioridade. “O dinheiro que temos em caixa só paga a folha líquida e não a bruta. O déficit projetado para este ano é de R$ 900 milhões. Mas tudo que está em atraso nós estamos colocando em um cronograma para colocar em dia”.
O secretário de Administração, Ricardo Pontes, argumentou que a situação financeira do estado é muito complicada e que os atrasos estão sendo negociados com os bancos. “A arrecadação vem em uma tendência de queda, tanto federal como estadual, o que é normal nesse período. Estamos buscando alternativas para obter renda e movimentar a economia e tenho certeza que até o final do ano estaremos com as contas pagas, como foi em 2017”, completa.
O presidente da Associação dos Correspondentes Bancários, Marcelo Freitas, disse que a informação repassada pelo secretário sobre os repasses de 2017 não é totalmente verdade. Segundo ele, há parcelas em atrasos e que quatro bancos já entraram com processo contra o governo e suspenderam as operações. “O estado parece que gostou da situação, porque não paga juros e correção. Faz acordo para pagar o parcelado e não cumpre”, disse Marcelo Freitas.
Edição: Viviane Menegazzo
Por: Geici Mello com Flash de Ithyara Borges
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