Quase um mês depois de perder a casa em um incêndio, um casal de idosos do bairro Morada do Sol, em Picos, tenta reconstruir o imóvel e recuperar parte do que foi destruído pelas chamas. Maria Valtânia e Francisco Bonfim conseguiram arrecadar alguns materiais de construção por meio de uma campanha nas redes sociais, mas ainda precisam de ajuda para retomar a obra.

O incêndio aconteceu na madrugada de 7 de outubro, enquanto a família dormia. O fogo se espalhou pela residência e provocou a destruição total da estrutura, incluindo teto, piso, móveis, eletrodomésticos e objetos pessoais. Documentos dos moradores também foram perdidos.

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As lembranças daquela noite ainda afetam o casal. Maria conta que, mesmo depois de algumas semanas, tem dificuldade para dormir ao recordar o momento em que a família tentou conter as chamas.

“Tem noite que eu levanto, fico sentada na cama pensando que de repente aconteceu assim… que foi de um jeito que não teve meio de apagar nada. Todo mundo aí jogando água, jogando… quanto mais jogava água, mais subia fogo”, relatou.

Francisco também diz que ficou abalado com a perda e passou a sentir medo diante de situações que envolvem fogo. Durante o incêndio, ele chegou a entrar na casa em chamas para tentar retirar alguns eletrodomésticos.

“Eu fico muito assim, arrebatido, porque o prejuízo foi grande, né? Aí eu tô até cismado com fogo. Não posso ver um fogo, já fico com aquela preocupação na cabeça”, contou.

Na ocasião, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 4h30. A equipe encontrou a residência tomada pelas chamas, com danos que comprometeram toda a edificação. O fogo também ameaçava imóveis vizinhos. Ainda não foi possível identificar o que provocou o incêndio.

Família tenta reconstruir a casa

Depois da tragédia, uma campanha de arrecadação foi organizada nas redes sociais para ajudar o casal a reconstruir a residência. Com as doações, a família conseguiu adquirir parte dos materiais, mas ainda faltam itens como tijolos, telhas e cimento.

“Devagarzinho eu adquiri algumas coisas, né? Com a ajuda que estão dando, nós estamos comprando o material devagarzinho, mas ainda falta mais tijolo, telha, cimento… um bocado de coisa”, disse Maria Valtânia.

Atualmente, os dois estão morando de aluguel. Além das dificuldades financeiras para reconstruir o imóvel, Maria enfrenta limitações de mobilidade que tornam a adaptação à residência provisória mais difícil. A casa alugada tem degraus na entrada, e ela precisa de ajuda para subir.

A idosa relata que tem perdido força nas pernas e dificuldade para se levantar quando está sentada. Por isso, deseja que a reconstrução da casa aconteça o quanto antes.

“Eu não me abaixo mais, né? Se eu me sentar, é obrigado aos meninos me levantar, porque eu não tenho mais força de levantar. Ainda faltam as coisas, mas eu queria adquirir para fazer logo, porque cada dia que passa eu tô ficando pior das pernas, porque as pernas não têm força de subir aí, que aí é muito ruim”, afirmou.

Picos registra 22 incêndios em residências em 2026

O caso de Maria Valtânia e Francisco ocorre em um ano em que o Corpo de Bombeiros já registrou 22 ocorrências de incêndios em residências em Picos, segundo o subcomandante da corporação, tenente Sousa Júnior.

O militar alerta que os riscos podem estar relacionados a diferentes situações ao longo do ano. Nos períodos mais quentes, o maior consumo de equipamentos elétricos nas casas pode provocar sobrecarga na rede. Já durante a estação chuvosa, a incidência de raios e a entrada de água em fiações expostas também podem favorecer princípios de incêndio.

“Durante o período mais quente, nós temos a questão do alto consumo de equipamentos elétricos nas residências. Então, quer queira, quer não, existe uma sobrecarga. Durante o período chuvoso, nós temos a incidência de raios, às vezes nós temos a penetração da água em fiações elétricas que estão expostas”, explicou.

O subcomandante recomenda que os moradores façam revisões periódicas nas instalações elétricas e procurem profissionais qualificados para avaliar possíveis problemas. A orientação é evitar improvisos e manter a fiação em boas condições.

Sousa Júnior também chama atenção para os incêndios em vegetação, que podem atingir imóveis próximos. Nesses casos, a recomendação é manter os arredores das residências limpos e construir aceiros, faixas sem vegetação que funcionam como barreiras para impedir o avanço do fogo.

Ajuda

Doações podem ser feitas em dinheiro, materiais de construção, mão de obra ou outros itens que serão entregues ao casal Francisco e Valtânia.

Valores em dinheiro podem ser enviados por meio da Chave Pix (89) 99459-8409 (Eberson da Silva).

Também é possível entrar em contato com Jeferson Pimentel, presidente da Associação Comunitária e responsável pela campanha, através do telefone (89) 98139-0373.

  • incendio_residencia_picos_2.jpegIncêndio residência Picos
    Divulgação / Corpo de Bombeiros
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    Divulgação / Corpo de Bombeiros

Fonte: Cidade Verde

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