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Confira entrevista com o militante do movimento negro em Picos, Mano Chagas!

Mano Chagas
Mano Chagas – Foto: Riachãonet

O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, data que institui um significativo capítulo de nossa história, torna Zumbi dos Palmares um herói nacional vinculado diretamente à resistência do povo negro. Essa data serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura brasileira, Em comemoração e reconhecimento desta data o portal Riachaonet realizou uma entrevista Papo Direto com o militante do movimento negro na cidade de Picos, Francisco das Chagas Pereira, o Mano Chagas.

Ex-seminarista da igreja, líder do movimento negro da cidade de Picos e fundador do projeto Adimó assim se descreve Francisco das Chagas Perreira (Mano Chagas). Nascido no interior do Piauí, Santo Inácio, dedicou 35 anos da sua vida aos movimentos sócias. Tendo morado no exterior, em países como Argentina e Paraguai, há dez anos reside na cidade de Picos. Pai de cinco filhos é um eterno militante contra o sistema e suas ideologias. “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos não haverá paz”, diz Mano Chagas

Riachaonet: Quem é Mano Chagas?

O Mano Chagas: Antes de mais nada é um pai de família, um ativista cultural e sobre tudo um defensor do ser humano , para que o ser humano tenha o seu direito. Esse é o Mano Chagas.

Riachaonet: Destes 49 anos de vida de Mano Chagas quantos foram destinados ao movimento negro?

O Mano Chagas: 35 anos, por que desde os 14 anos que eu me senti chamado, convocado a estar exercendo o meu papel de cidadão na sociedade. Aos 14 anos eu já participava de grêmios estudantis e nesses grêmios eu comecei a me manifestar contra um sistema que aí estava e a partir daí, mais tarde, comecei a tomar parte do meu setorial, o grupo que pertencia na sociedade.

Riachaonet: Qual a contribuição de uma pessoa envolvida em movimentos sociais, como o coordenador do Grupo Adimó para a sociedade picoense?

Mano Chagas: Eu me coloco como o terceiro setor, e o terceiro setor hoje eu acredito que ele tenha sido uma das maiores expressões surgidas nesses últimos anos. Terceiro setor ele exerce o papel do estado, muitas vezes, e o papel da própria sociedade. Ele tá sendo o fomento, a mola propulsora que pode direcionar muitas ações na sociedade. Eu até muitas vezes costumo dizer que o pessoal precisa entender da politica brasileira e ver como é que tá separada essas questões. Quando eu falo em terceiro setor, ele não o privado, não é o estado mas ele termina fazendo a função desses dois enquanto esses dois estão ausentes.

Riachaonet: Como você avalia essa questão de cotas para negro?

Mano Chagas: Cotas a principio pra mim é uma ação afirmativa com a função de reparar erros. Imagine durante 500 anos de história brasileira, a politica aos afros descendentes foi negada, inclusive negado através de leis, nada mais correto que outras leis para fazer cumprir esse erro histórico. Agora, no entanto eu tenho mais de cinco anos discutindo cotas e fico triste quando pessoas que se quer entenderam a discursão de cotas e já se posicionam contra. Acho que merece uma reflexão é uma “faca de dois gumes” quando fala que agente tá vivendo em uma sociedade capitalista, você procura a defesa e ela vem trinta argumentos contra atacando. Por exemplo, uma cara que está na posição de réu passa ser vitima diante desses argumentos que muitas vezes a sociedade capitalista cria.

Riachaonet: Você enquanto organizador de trabalhos na cidade de Picos voltados ao racismo e também de orientação à comunidade negra já sofreu algum tipo de preconceito?

Mano Chagas: Explicito diretamente a mim ainda não, haja vista o papel que eu desempenho as pessoas se poupe de criar essa situação. Por que a meu ver se criar eu respondo na mesma altura, se for passível de processo eu processo, se for passível de ação judicial eu vou entrar. Há então a sim certo respeito quanto a isso. Agora sim o racismo enquanto muita gente diz ser um racismo velado, ele tá explicito, explicito em diversas formas. Como por exemplo, quando você adentra uma loja e diz assim: ‘precisa-se de pessoa’ e nesse termo tá pessoa de boa aparência calcule você que essa expressão do texto tá direcionando a um tipo de pessoa logo vai está excluindo outra.  Então a forma de excluir não deixa de ser uma forma discriminatória.

Riachaonet: Sendo Zumbi dos Palmares um grande líder do Brasil no que diz respeito a luta contra a escravidão, defesa da cultura africana e dos negros, Mano Chagas recebeu alguma influencia de Zumbi em suas lutas sócias?

Mano Chagas: Zumbi dos Palmares é o um ícone, uma pessoa que tinha toda uma vida, falava duas línguas fluentes o latim e próprio português e ainda tinha conhecimento do espanhol. Zumbi tinha um berço, pra quem era filho de escravos e nasceu na serra da barriga e foi morar com igreja e padres, então ele tinha digamos de passagem uma vida boa, no sentindo de ter acesso à moradia, a alimentação, alguns bens básicos e de repente ele renunciou. O fato de renuncia e lutar em favor de um povo é o que me inspira. Tudo isso que eu faço hoje também é nesse intuito. É logico que eu jamais serei Zumbi, jamais estaria à altura de Zumbi, mas acredito que a contribuição que a gente tem que dar. E pra mim Zumbi é um ícone.

Entrevista realizada pelos jornalistas, Paula Monize, Clebson Lustosa.

 

 

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