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Corte tira 23 milhões de pessoas do Bolsa Família

A ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, afirma que 23 milhões de pessoas terão que sair do Bolsa Família caso o Congresso faça um corte de R$ 10 bilhões no orçamento do programa. Ele atende hoje 50 milhões de brasileiros.

A medida é defendida pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator do Orçamento de 2016 no Congresso.  “Outros 8 milhões entrariam de novo na pobreza extrema com o corte no valor dos benefícios”, afirma Campello.

Bolsa Família
Bolsa Família – Imagem Ilustrativa

Segundo a ministra, ela está fazendo uma estimativa “até otimista” diante da magnitude do corte proposto pelo parlamentar. “Estou considerando as pessoas de renda mais alta do programa, e não os extremamente pobres. Ainda assim, são todas muito vulneráveis.”

Ela também diz ser impossível adotar uma das medidas defendidas pelo parlamentar, de não preencher vagas do programa abertas com a saída de pessoas que começam a trabalhar.

“Há muito desconhecimento sobre o Bolsa Família. Todos os meses, 100 mil famílias deixam o programa. É um número irrisório perto do que teremos que cortar caso essa proposta de corte prevaleça, o que eu não acredito que possa acontecer”, diz Campello.

Além disso, afirma, “as pessoas dessa faixa de renda e vulnerabilidade entram e saem da pobreza rapidamente, e às vezes têm, sim, que voltar para o programa depois de deixá-lo por um tempo”.

Ela cita como exemplo um homem que arrume emprego em uma obra. Ele trabalha alguns meses, de forma temporária. E depois, desempregado, volta a receber a bolsa -o programa paga benefício médio de R$ 165 por família.

A ministra diz não acreditar que o Congresso efetive o corte. “Ainda mais em um momento de dificuldade econômica”, afirma.

Campello diz que não apenas as famílias que recebem os benefícios podem ser afetadas pela tesoura dos parlamentares, mas também a economia de pequenos e médios municípios. Nelas, setores de comércio e serviços são incrementados já que os integrantes do Bolsa Família fazem “a economia girar” ao comprar roupas e a contratar mais serviços, por exemplo.

Diário do Povo

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