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Dia das Mães: A mulher picoense e sua quádrupla jornada em meio à pandemia

Além de mães, elas têm que ser esposas, donas de casa, estudantes e trabalhadoras. Uma jornada exaustiva, mas que elas desempenham com ousadia.

Mãe, esposa, dona de casa, estudante e trabalhadora. Essas são as jornadas que muitas mulheres têm que lidar, diariamente, para cumprir com suas obrigações. 24 horas por dia parece ser pouco para tanto, mas ainda conseguem tirar um tempinho para dormir.

Como conseguem? Não se sabe! Mas muitas são consideradas heroínas por lidarem com tanto em tão pouco tempo. Em alusão ao Dia das Mães, o Portal RiachãoNet decidiu homenagear a todas as mães que desempenham esses papéis executando-os com louvor, dia após dia.

Duas jovens, mães de primeira viagem, relatam a rotina diária que possuem, especialmente após início da pandemia.

Andrezza Gonçalves, 21 anos, é mãe da Nicole Maria, 1 ano e três meses. Sua filha, que nasceu prematura, veio ao mundo bem próximo ao início da pandemia do coronavírus. Ela relatou que todos os cuidados que eram tomados com a bebê, tiveram que ser redobrados.

Andrezza Gonçalves

“Nicole nasceu em janeiro do ano passado. Como ela nasceu prematura, já estávamos tendo todo cuidado. Nós não saíamos de casa, não recebíamos visitas. Com a pandemia, só prolongaram-se os cuidados. Foi uma época muito difícil, porque no começo estávamos lidando com um enigma e a cada dia era uma notícia ruim sobre essa doença e com essa incerteza o medo só aumentava”, falou.

Com a pandemia, Andrezza, que já lidava com trabalho, estudos, ser dona de casa e, agora, mãe, dedicou-se, por quase um ano, para a família. Decidiu parar os estudos por um tempo e, por conta das inúmeras medidas restritivas, ficou sem trabalho.

Andrezza e seu esposo Romário

Contudo, para ela, houve um ponto positivo: dedicar-se, integralmente, à sua filha, esposo e casa. Hoje ela já retornou ao trabalho e à sua rotina anterior. Passa cerca de 9 horas diárias no emprego, de três a quatro vezes na semana. Sobre as tarefas domésticas, a maior parte fica para o fim de semana.

“Quando vou para o trabalho acordo umas 05h30. Tomo banho, café, arrumo as coisas da minha filha e vou deixar ela na casa da minha mãe. No fim de semana, às vezes trabalho no sábado, faço as tarefas domésticas e cuido da minha filha. Meu esposo sempre ajuda quando pode, porque ele também trabalha muito”, detalhou.

Andrezza, seu esposo Romário e sua filha Nicole

Andrezza, que trabalha em um salão de beleza em Picos e mora na zona rural de Picos, ainda faz o traslado diariamente, o que gasta cerca de 30 a 40 minutos. Fora horário para dormir, o descanso diário é mínimo.

“É bem desafiador ter que se desdobrar em três a quatro pessoas por dia, mas estou me adaptando aos poucos. Quando estou com um pouco de tempo livre, opto por ouvir música, ler e assistir filmes e séries para relaxar”, disse ela.

A pandemia trouxe muitas incertezas, mas, para a Andrezza, mãe guerreira, seu maior sonho consiste em dar, para sua filhinha, um futuro promissor. Seu grande cuidado, nesse período que continua a ser de confuso, também é totalmente dedicado a Nicole.

Aniversário de 1 aninho da Nicole

“Tenho sonhos. E todos estão voltados para minha filha. Hoje o maior deles é poder dar uma boa educação para minha filha e estar sempre presente na vida dela. Ser mãe é fazer o possível e o impossível para ver seu filho bem. É se doar inteiramente a ele, é amar alguém muito mais que a si mesma. É a tarefa mais desafiadora e ao mesmo tempo gratificante que possa existir”, declarou.

Juliana Ferreira, educadora física, 22 anos, também foi mãe em 2021. Sua filhinha, a Liz – 8 meses -, nasceu no auge da pandemia. Além do medo em ter a primeira gestação, ainda estava com o temor de uma doença da qual pouco se sabe.

Juliana Ferreira

“A pandemia foi uma fase ruim em todos os sentidos. No entanto, gosto sempre de abstrair o melhor das situações. Assim sendo, nessa fase consegui aproveitar melhor a minha gestação e me dedicar única e exclusivamente à minha filha. Descobri minha gravidez, junto com o apogeu da pandemia. Foi um turbilhão de sensações e a maior de todas era o medo. Medo me contaminar e acontecer alguma coisa com a minha filha e, acima de tudo, medo por não saber em qual mundo ela nasceria. Mas graças a Deus, deu tudo certo com a gestação e sigo crente que a cura dessa doença está por vir, para que, então, ela possa crescer sem medo de abraçar alguém”, falou.

Juliana e seu esposo Raí Júnior

Ela, além de ter que cuidar da filha, administra as 24 horas de seu dia para ser esposa, dona de casa, estudante e professora de natação. Muitas vezes seu expediente diário se encerra às 05h00, após assistir aulas e revisar algo que não pôde acompanhar bem durante o dia. Juliana disse que tenta tirar para si, pelo menos, uma hora por dia para descansar.

“Quando levanto eu faço os trabalhos domésticos, cuido da minha filha e assisto as aulas da universidade, tudo ao mesmo tempo, e não me pergunte como (risos). À tarde vamos para a casa da minha mãe. Lá consigo descansar brevemente até dar a hora de ir ao meu trabalho, às 16:30h. Chego do trabalho às 20h00 e cuido da minha filha até ela dormir. Por volta de 22h00 é que consigo fazer a janta. Depois disso estudo sem hora para acabar. Já fiquei até 05h00 estudando, escrevendo e revendo aulas para compensar o que passou despercebido durante a manhã”, detalhou.

Segundo ela, como seu esposo também possui uma carga horária de trabalho exaustiva, ajuda como pode. “O pai da minha filha é tão atarefado quanto eu. Geralmente, ele faz o que não dou conta de fazer durante o dia, portanto, não estabelecemos tarefas individuais”, disse.

Ela destacou que a sociedade tem exigido muito das mulheres, especialmente das que são casadas e mães. “Ser mulher multitarefas nunca será fácil. E o ideal é que a sociedade entenda que nós somos mulheres maravilhosas, mas não super heroínas. Somos humanas, somos falhas e tentar dar de conta de tudo é um tiro no pé. Obviamente, temos prioridades. Como mãe, minha filha está acima de tudo, e com relação às demais tarefas, tento sempre dar o meu melhor”.

Momento de relaxamento enquanto estava grávida

A educadora física, que possui contato direto com seus alunos, afirmou que o medo da Covid persiste, principalmente por sua filha. Contudo, medidas são tomadas para driblar, ao máximo, a contaminação fora e dentro de casa.

“O maior medo sempre foi com relação à saúde da minha família. No atual cenário da pandemia, me sinto mais confortada pois, finalmente, alguns entes queridos já estão sendo vacinados e o risco de algumas complicação foi diminuído. Busco seguir os cuidados estabelecidos pela OMS, mas ainda fico muito insegura, pois minha profissão exige contato direto com meus alunos. A forma de tentar manobrar o risco de contaminação é sempre estar com os exames clínicos em días e quaisquer sintomas referentes à Covid, a aula será suspensa para o indivíduo em questão”, frisou.

Aula de natação para crianças

No entanto, mesmo em meio ao medo e cuidados, Juliana Ferreira declarou que o maior presente que ganhou, durante a pandemia, foi a realização do sonho de ser mãe.

“Ser mãe pra mim é a maior aproximação que tenho com Deus. Foi esplêndido sentir mais um coração dentro de mim. Parir foi uma experiência surreal e ter minha filha no colo, perfeita, me fez se sentir a mulher mais poderosa do mundo. Então não importa o quanto tenho que trabalhar, dar duro, por ela eu faço tudo”, finalizou.

Juliana e sua filha Liz

O Portal RiachãoNet deseja a todas as nossas leitoras, mães, que tenham um Feliz Dia e muita saúde para desfrutar com os seus.

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