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Dia do Jornalista: A pandemia e o desafio em se fazer jornalismo em Picos

Hoje, 07 de abril, é comemorado o Dia do Jornalista.

Nesta quarta-feira, 07 de abril, é celebrado o Dia do Jornalista. O Portal RiachãoNet conversou com três profissionais que atuam em áreas distintas no município – rádio, site e assessoria de imprensa – para saber quais os principais desafios da classe.

Os profissionais relataram os desafios que a categoria tem enfrentado desde sempre e, especialmente, desde o surgimento da pandemia. Indiretamente, os jornalistas fazem parte da linha de frente no combate ao coronavírus, com a função de permanecer em campo para disseminar as verdades já descobertas sobre a doença.

Segundo o repórter Assis Santos, comunicador do Sistema de Comunicação de Picos, que atua no mercado da comunicação há 16 anos, um dos grandes desafios da atualidade é firmar contato com as autoridades do municípios, especialmente representantes estaduais e federais, nesse período de pandemia.

“É um enorme desafio ser jornalista no tempo atual e esses desafios se apresentam de várias formas. Em Picos, uma das grandes dificuldades é em relação à busca de informações oficiais dos órgãos públicos, do poder judiciário. Há uma rotatividade muito grande de servidores nesses locais e cada um tem uma linha de pensamento diferente e com raríssimas exceções a gente encontra um que seja acessível, aberto à imprensa. Em relação à pandemia temos outra dificuldade: além do risco que o profissional se submete em estar na linha de frente, na rua, no dia a dia, junto aos profissionais de saúde, vários jornalistas têm se desafiado e corrido esse risco acompanhando relatos e sofrimentos das pessoas”, falou.

Jornalista Assis Santos

Assis Santos expressou ainda que outro embate do jornalismo picoense é enfrentar aos negacionistas, ou seja, aquelas pessoas que não acreditam na existência e poder de contaminação e fatalidade que o vírus da Covid-19 possui.

“Estamos tentando dar nossa parcela de contribuição para a sociedade, mas há pessoas que pensam de forma diferente das demais em relação ao vírus. As pessoas negacionistas veem os jornalistas como inimigos, até mais que o próprio vírus, e começam a se contrapor divulgando fake news, tentando confundir a cabeça das pessoas, modificando a opinião pública com informações que não são verdadeiras e atrapalham o trabalho da imprensa”, opinou.

O jornalista Jailson Dias atua no mercado da comunicação em Picos também há 16 anos. Hoje ele segue sua independência na profissão e lidera o próprio site: o Boletim do Sertão. O profissional destacou a necessidade do trabalho jornalístico na cidade em meio à pandemia.

Jornalista Jailson Dias

“É o jornalista que garante a transparência da informação que é levada até à sociedade sobre tudo o que está acontecendo, principalmente sobre a fiscalização dos poderes públicos nesse período ímpar, que é a pandemia, que tem matado tanta gente, deixado sequelas, e causado preocupação. O trabalho do jornalista tem se mostrado essencial por estar levando todas as informações necessárias, que vão desde os cuidados a serem adotados pelas pessoas, falta de leitos clínicos e de UTI, cobrança por estes, e também como anda a vacinação”, destacou.

Jailson Dias frisou também que o trabalho que exercido pelos jornalistas se equipara ao dos profissionais da saúde, os quais estão paralelamente na linha de frente, uns cuidando dos enfermos e outros entrevistando-os. Ele pontuou a necessidade da vacinação para a categoria.

“Nosso trabalho é de linha de frente, pois ficamos entrevistando pessoas, buscando as informações. Vários colegas já tiveram Covid e, felizmente, se recuperaram. Mas alguns ficaram e ainda estão com sequelas da doença. Por estarmos na linha de frente seria justo termos prioridade na vacinação, uma vez que estamos em campo, em contato com as pessoas. Isso mostra que há uma desvalorização com o profissional. Nós precisamos ser mais valorizados e a vacinação mostraria essa valorização”, declarou.

Ele parabenizou a categoria que está na luta pela busca das notícias, “com a cabeça erguida, firmes.

No ramo da comunicação é possível que uma das áreas mais difíceis de se exercer seja a de assessoria de imprensa. Especialmente quando se está à frente de um dos hospitais que é referência no tratamento à Covid-19 no Estado. Em Picos, a jornalista Lorena Sales tem exercido a função no Hospital Regional Justino Luz. Ao Portal RiachãoNet ela afirmou que está vivendo um marco tanto na sua vida profissional quanto pessoal.

“Em mais de 10 anos de carreira, a coisa que mais me marcou foi o primeiro caso suspeito da Covid-19. O jovem era um paciente que veio de outra cidade. Naquele dia fiquei marcada, pois foi a primeira nota que escrevi para esclarecer sobre um assunto que mal sabíamos o que era. Ali tanto minha carreira quanto vida profissional foram marcadas. Desde que começou a pandemia as coisas não estão sendo fáceis para ninguém, mas hoje temos esperança, pois já temos até vacina”, disse.

Jornalista Lorena Sales

Lorena Sales confessou que no início houve uma grande pressão por parte dos colegas de classe e população em geral, o que foi um grande desafio, pois todos queriam uma posição sobre o que era a doença, o que fazer e a quem recorrer.

“No início confesso que foi bem estressante. Haviam muitas cobranças e a gente não sabia o que falar, pois era algo novo para todos. Eu entendia perfeitamente o papel dos colegas de batente, pois sentiam a mesma pressão de informar a verdade para a população, que também pressionava do outro lado querendo saber a realidade do que estava acontecendo. Como prezamos pela verdade e precisão, tivemos que ter muita cautela com o que deveria ser repassado, mas hoje já conseguimos tirar de letra a situação”, falou aliviada.

A assessora do Hospital Regional de Picos relatou ainda que por mais que o trabalho se restrinja à vida profissional, não há como não levar para o pessoal e que, por muitas vezes, se viu pensando e compartilhando da dor das famílias que enfrentavam a doença nas dependências hospitalares, muitos deles indo a óbito.

“Contabilizar óbitos todos os dias para repassar para a imprensa, pensar nas famílias, nos que conhecemos, nos faz sentir por cada pessoa. Tive dias em que deitava e vinha tudo aquilo na minha cabeça, em como estaria a família de quem perdeu a luta para a Covid”, falou.

Lorena Sales aproveitou a oportunidade para parabenizar a todos os jornalistas que seguem na luta, dia após dia. “Nosso dia é todo dia. Temos trabalhado bem mais do que em todos os outros tempos, conectados, ligados como nunca. Até mais que em Copa do Mundo, que é algo que para o Brasil. Desejo que permaneçamos firmes e fortes e lutemos pela vacinação, pois nós continuamos em campo”.

O Portal RiachãoNet parabeniza a todos os jornalistas pelo seu dia e pela luta que se propõem, dia após dia, batalharem.

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