ad16
GeralTodas as Notícias

Estudo de universidade que envolveu picoenses revela qual origem genética do nordestino

Quando acompanhava a Guerra de Canudos o escritor e militar Euclides da Cunha escreveu um clássico da literatura chamado Os Sertões. A obra fala da guerra e é considerada um verdadeiro tratado das ciências sociais com narrativas históricas e geográficas das áreas visitadas pelo exército destacado para derrotar os seguidores de Antonio Conselheiro no sertão nordestino. Entre seus textos descritivos Cunha escreveu “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, numa clara alusão à fibra dos nordestinos que vivem e sempre viveram as agruras do Nordeste, representadas especialmente pela carência de água e a dureza da Caatinga, tipo vegetacional único no mundo e principal bioma a ocupar o Nordeste Brasileiro.

Vaqueiros no semiárido -Foto: Divulgação

Como nordestino fico a me perguntar: de onde tiramos tanta força? De onde tiramos tanta capacidade de enfrentar adversidades? Qual a nossa origem? Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) estão ajudando a responder estas e outras perguntas sobre a origem genética do povo nordestino.

Sabemos pelas nossas aulas de história que quando os europeus começaram a chegar no século XVI iniciou-se um processo de miscigenação com os povos que aqui já se encontravam, genericamente chamados de Índios. Depois, na exploração do território, foram importadas pessoas, trazidas como mercadoria, vindas da África, no vergonhoso período da escravatura. Os negros também compuseram a mistura, que foi ampliada com as migrações do final do século XIX e início do século XX com povos do leste europeu, oriente médio, japoneses, coreanos etc.

A pesquisa foi realizada por um grupo de pesquisadores da UFC comandados pelo Dr. Aldo Ângelo Moreira Lima e pelo Dr. Alexandre Havt que investigaram a saliva de 1538 crianças das cidades de Crato (CE), Picos (PI), Ouricuri (PE), Sousa, Patos e Cajazeiras (PB). A investigação utilizou o DNA mitocondrial.

DNA Mitocondrial

As mitocôndrias são estruturas das nossas células, responsáveis pelas transformações energéticas que sustentam nosso corpo. Estas estruturas, genericamente chamadas de organelas, possuem características especiais, como DNA próprio e independente do DNA que forma nossos cromossomos. Um dado interessante é que, independente do sexo que temos – masculino ou feminino, o DNA Mitocondrial é sempre, exclusivamente materno. Isso acontece porque no momento da concepção só participam da nossa célula-ovo (zigoto) as mitocôndrias provenientes do gameta feminino – o óvulo. Por isso nosso DNA Mitocondrial é sempre de origem materna.

Resultados da pesquisa

A pesquisa da UFC, realizada em conjunto com a Universidade de Virgínia (EUA) chegou a resultados muito interessantes. O material coletado das crianças foi comparado com um banco com 400 mil marcadores moleculares de várias partes do mundo. O material das crianças nordestinas, comparado a este banco gerou o percentual de 56,8% do material de origem europeia; 22,9% de origem africana e 20,3% de origem asiática.

Como já era esperado a maior parte teve influência de povos da Europa, especialmente de Portugal e da Holanda (reforçando a ideia da influência holandesa no Nordeste do Brasil). O percentual correspondente à porção negra da mistura concentrou-se em marcadores de origem no Quênia, uma das nações que subsidiou o comércio de negreiro para o Brasil. A grande surpresa veio do material de origem asiática que foi bastante similar ao do povo do Bangladesh. Esta informação dá uma pista sobre a origem dos nossos indígenas que, provavelmente, tiveram sua origem naquela região da Ásia e, por correntes migratórias intensas, terminaram chegando ao território brasileiro.

Veja a matéria feita pela TV UFC

As pesquisas para esta área estão ainda no início, mas os resultados, na minha visão pessoal, ajudam a entender a origem da nossa fibra enquanto povo, pois Quênia e Bangladesh são nações com povos de muita fibra, o que, em parte, pode explicar a origem da nossa força, coadunando-se e até extrapolando-se a fala de Euclides da Cunha: o nordestino é, antes de tudo, um FORTE!

Fonte: Cidade Verde

LER MATÉRIA COMPLETA

Leia Também