Furto de cabos provoca crise no abastecimento de água em Picos e expõe atuação de receptadores
- Onze ataques em apenas dez dias deixam bairros sem água, afetam hospitais, comércio e reforçam a necessidade de combater quem compra o material furtado
A sequência de furtos de cabos elétricos que vem atingindo os sistemas de abastecimento de água de Picos deixou de ser um problema pontual para se tornar uma questão de segurança pública. Em apenas 10 dias, a concessionária Águas do Piauí registrou 11 furtos, comprometendo o fornecimento de água para milhares de moradores e afetando diretamente o funcionamento do comércio, unidades de saúde e serviços essenciais.
O caso mais recente foi confirmado na madrugada desta terça-feira (15), quando criminosos voltaram a furtar cabos de um poço localizado no bairro Bomba, na Rua Luís Nunes. O equipamento abastece não apenas o bairro, mas também São José, Ipueiras e Boa Sorte, obrigando a concessionária a reiniciar todo o processo de recuperação do sistema.

Segundo o gerente executivo da Águas do Piauí, Lucas Marques, os ataques começaram na região do Morada do Sol, comprometendo o abastecimento também dos bairros São José, Bomba, Ipueiras e Boa Sorte. Em seguida, os criminosos passaram a agir no complexo de poços da Aerolândia, estrutura estratégica responsável pelo abastecimento de bairros como Centro, Canto da Várzea, Paroquial, Bela Vista I e II, entre outros.
Crime vai além do prejuízo financeiro
Cada furto obriga a concessionária a substituir cabeamentos, reparar quadros elétricos e religar todo o sistema de bombeamento. Como o abastecimento depende da pressurização gradual da rede, a normalização pode levar horas e até provocar rompimentos em tubulações.

O resultado é sentido diretamente pela população, que enfrenta longos períodos sem água em casa.
Mas os prejuízos vão além da interrupção do serviço.
Hospitais, Unidades Básicas de Saúde, escolas, restaurantes, supermercados e centenas de estabelecimentos comerciais também sofrem os impactos da falta de abastecimento.
Se há muitos furtos, existe quem compra
A repetição dos crimes levanta uma questão inevitável: quem está comprando esses cabos?
Especialistas em segurança pública são unânimes ao afirmar que furtos dessa natureza dificilmente acontecem sem uma cadeia de receptação estruturada. O cobre presente nos cabos possui alto valor de mercado e normalmente é vendido em ferros-velhos clandestinos ou intermediários que alimentam esse tipo de atividade criminosa.
Sem compradores, o furto perde o interesse econômico.
Por isso, além da identificação dos autores dos crimes, torna-se fundamental localizar e responsabilizar quem adquire o material furtado, prática que configura o crime de receptação previsto no Código Penal.
Polícia intensifica investigações
A Águas do Piauí informou que registrou boletins de ocorrência de todos os casos e mantém contato permanente com a Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DEPATRI), Polícia Militar, Secretaria de Segurança Pública e demais órgãos envolvidos na investigação.
Segundo Lucas Marques, a empresa também iniciou a instalação de câmeras de monitoramento nos poços para auxiliar a identificação dos criminosos.
Apesar disso, enquanto a investigação avança, novos ataques continuam sendo registrados.
Problema exige resposta rápida
O gerente da concessionária destaca que a empresa continuará realizando os reparos necessários, mas ressalta que apenas a recuperação das estruturas não será suficiente se os criminosos continuarem agindo.
A expectativa agora é que o trabalho conjunto entre Polícia Civil, Polícia Militar e os demais órgãos de segurança consiga identificar tanto os autores dos furtos quanto os receptadores responsáveis por manter esse mercado clandestino em funcionamento.
Enquanto isso, milhares de moradores de Picos seguem convivendo com interrupções frequentes no abastecimento de água por causa de um crime que já ultrapassou os limites do patrimônio da concessionária e passou a afetar diretamente a qualidade de vida da população.
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