Governador ameaça ação contra juiz Sérgio Moro por grampo e diz: é “abuso de poder”
- O governador Wellington Dias manifestou indignação nesta quinta-feira após o juiz Sérgio Moro divulgar interceptações telefônicas entre ele e o ex-presidente Lula, alegando que a exposição pública de diálogos privados configura abuso de autoridade.
- A defesa jurídica do governador piauiense prepara representações formais ao Conselho Nacional de Justiça e à Procuradoria Geral da República, argumentando que o magistrado feriu o Código de Ética e extrapolou sua competência legal.
- O conteúdo dos áudios, gravados durante agenda oficial em Brasília, aborda preocupações com a crise econômica nacional e a articulação política, sem citar qualquer envolvimento direto do governador em investigações da operação Lava Jato.
O governador Wellington Dias (PT) divulgou nota na manhã desta quinta-feira (17) mostrando indignação pelas interceptações telefônicas divulgadas ontem na imprensa nacional em que ele aparece conversando com o ex-presidente Lula.
Wellington Dias afirma no comunicado que estuda ingressar com representações no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Procuradoria Geral da República contra o juiz federal, Sérgio Moro.
“Já estou avaliando, junto a advogados especialistas, uma representação contra o juiz Sérgio Moro, no CNJ e uma ação na Procuradoria Geral da República, por abuso de poder. A atitude dele feriu o Código de Ética e ultrapassou sua competência como magistrado”, diz a nota.
Ontem, o juiz divulgou grampos telefônicos em que aparece o governador do Piauí falando com o ex-presidente Lula. Na conversa de cerca de dois minutos, Wellington Dias declara apoio a Lula e se mostra preocupado com a crise econômica. O dialogo não fala da operação Lava Jato e descreve a apreensão de Dias com a política econômica.
O áudio foi divulgado ontem, horas depois da gravação quando o governador se encontrava em Brasília para reunião com a bancada do Piauí e audiência nos ministérios.
O governador permanece em Brasília e vai participar da posse de Lula no Ministério da Casa Civil.
Veja na íntegra nota do governador:
Recebi com surpresa a informação do vazamento de uma conversa minha com o ex-presidente Lula. Estou em Brasília, desde o começo da semana, participando de uma série de reuniões e audiências com o intuito de conseguir recursos para o Piauí e, também, articular com governadores de vários estados e o executivo federal ações para a retomada do crescimento do país.
Como já foi amplamente divulgado nos meios de comunicação, o áudio com minha fala mostra exclusivamente minha preocupação com o povo do Piauí e o desenvolvimento do Brasil, além da necessidade da retomada do crescimento econômico. Tratamos, rapidamente, sobre política econômica, a necessidade da liberação de verbas para o Estado e o equilíbrio político econômico da nação.
É importante salientar que o ex-presidente Lula mostra relutância em aceitar o convite para assumir um ministério, justamente para que não passasse uma imagem de que faria isso para se proteger. Seu grande interesse é a retomada do crescimento econômico e a estabilidade política do país.
Não há nada ilegal na conversa, a grande ilegalidade é justamente o grampeamento da ligação e sua ampla divulgação na imprensa. É temeroso quando os interesses pessoais e políticos de um magistrado se sobrepõem aos interesses democráticos e desvirtuam uma delicada investigação que afeta todo o país.
Já estou avaliando, junto a advogados especialistas, uma representação contra o juiz Sérgio Moro, no CNJ e uma ação na Procuradoria Geral da República, por abuso de poder. A atitude dele feriu o Código de Ética e ultrapassou sua competência como magistrado.
O país necessita de equilíbrio e não pode ficar à mercê de decisões equivocadas tomadas pelo sentimento e envolvimento emocional. Esse é um momento de serenidade, mas está ocorrendo o contrário quando um juiz extrapola as atribuições divulgando áudios de pessoas que não são objetivo de investigações e não estão citadas em nenhum processo.
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