IFI projeta arrecadação menor com alta de imposto sobre bets e cassino online
- A Instituição Fiscal Independente projeta que a arrecadação federal com apostas esportivas ficará abaixo da meta de dez bilhões de reais para 2025, devido ao risco de evasão fiscal provocado pelo aumento das alíquotas tributárias.
- O governo federal pretende elevar a tributação sobre a receita bruta das empresas de doze para dezoito por cento a partir de novembro, visando ampliar receitas, embora parlamentares temam que a medida fortaleça o mercado clandestino.
- Dados indicam que cinquenta e um por cento das apostas no Brasil ocorrem em plataformas irregulares, movimentando quarenta bilhões de reais anuais, o que gera um prejuízo superior a dez bilhões de reais em arrecadação tributária federal.
A arrecadação federal com a elevação do imposto sobre apostas esportivas e cassino online deve ser inferior à expectativa do governo, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado.
O relatório mais recente da entidade indica que o comportamento dos contribuintes pode reduzir os efeitos projetados pelo Ministério da Fazenda, sobretudo em relação ao novo aumento de alíquotas.
Nos primeiros sete meses de 2025, a Receita Federal registrou R$ 4,73 bilhões em arrecadação com tributos sobre bets e loterias. Desses, R$ 2,6 bilhões vieram diretamente das empresas de apostas.
O governo projeta que esse valor possa dobrar até o fim do ano, alcançando R$ 10 bilhões. No entanto, a IFI alerta que a elevação de tributos pode estimular estratégias de evasão fiscal, reduzindo a efetividade da medida.
Atualmente, as apostas esportivas e o cassino online estão sujeitos a uma alíquota de 12% sobre a receita bruta (GGR). A Medida Provisória em tramitação prevê que esse percentual suba para 18% a partir de novembro, o que representa um aumento de 50% na carga específica sobre o setor.
Segundo dados da Fazenda, existem mais de 180 empresas de apostas operando legalmente no Brasil, enquanto cerca de 18 mil sites irregulares já foram bloqueados no último ano.
O debate sobre a tributação do setor ocorre em paralelo ao crescimento da popularidade das plataformas de cassino online e apostas esportivas. Relatórios recentes apontam que esses serviços já representam um mercado bilionário no Brasil e se consolidaram como parte relevante da arrecadação federal.
Em levantamento recente divulgado por uma das bets autorizadas a operar no país legalmente, os jogos de slot lideraram a preferência dos usuários. Os títulos desse tipo responderam por 93,36% da atividade registrada em um cassino online da KTO em agosto.
Em seguida aparecem os crash games (4,38%), roleta (1,03%), vídeo bingo (0,54%) e game shows (0,36%). Outras modalidades, como dados (0,18%), blackjack (0,06%), bacará (0,04%) e pôquer (0,01%), apresentam menor participação.
Entre os títulos mais populares do cassino online da KTO estão Fortune Tiger (39,30% de popularidade), Fortune Rabbit (33,67%), Fortune Dragon (26,54%), Gates of Olympus (23,82%) e Touro Sortudo (22,68%). O Aviator é o líder isolado na categoria crash (12,13% dos usuários ativos no mês), bem à frente do segundo lugar, o KTO High Flyer (2,58%).
Já no segmento de roletas ao vivo, o destaque fica para a Roleta KTO ao Vivo, com 9,31% de participação, seguida pela Roleta Relâmpago Brasileira (2,56%). Esses dados reforçam o crescimento da demanda por modalidades diversificadas de cassino online no país.
Entre parlamentares, há resistência ao reajuste, especialmente diante do risco de fortalecer o mercado clandestino. Estimativas indicam que até 51% das apostas no país ocorrem fora do ambiente regulado, movimentando aproximadamente R$ 40 bilhões anuais e causando perdas de mais de R$ 10 bilhões em arrecadação.
Para especialistas, ampliar a formalização das operações seria um caminho mais eficiente para garantir receitas do que simplesmente aumentar impostos. No momento, a discussão sobre como equilibrar carga tributária e combate à informalidade permanece no centro da agenda econômica.
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