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Lei da Ficha Limpa ameaça domínio de várias famílias tradicionais da política no Piauí

Urna eletrônica biométrica será utilizada em Picos
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Não são só os partidos políticos que terão dificuldades em encontrar e manter nomes que possam fugir do alcance da Lei da Ficha Limpa. No Piauí, várias famílias tradicionais da política terão que procurar novos nomes para a disputa de cargos eletivos. Boa parte dos líderes políticos destas famílias foram enquadrados na lei e devem ficar pelo menos oito anos fora de pleitos eleitorais. Outros ainda enfrentam ações na Justiça, que podem culminar em condenação colegiada e terminarem alcançados pela da Lei da Ficha Limpa.

Em cidades como Oeiras, Uruçuí, São Raimundo Nonato, Campo Maior, Cristino Castro, São João do Piauí, Piripiri e outras regiões, lideranças de famílias tradicionais poderão ter a vida política barrada pela Lei. Há casos de regiões onde a disputa política sempre girou em torno de apenas duas famílias e em ambos os lados há condenações de gestores e ex-gestores, que podem culminar em problemas nas eleições. Em Oeiras, por exemplo, as duas famílias tradicionais da disputa política possuem nomes que já estão barrados pela Justiça. As famílias Sá e Tapety se revezam no poder municipal desde 1970.

Do lado da família Sá, o ex-prefeito B.Sá já se encontra barrado pela lei. Ele foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) no ano passado e está inelegível até 2016. Do outro lado, José Nogueira Tapety Neto, também ex-prefeito do município, enfrenta três ações penais na Justiça Federal e em uma ação civil por improbidade administrativa.

O líder da família Sá teve mandato cassado sob acusação de captação ilícita de sufrágio. Uma nova eleição foi realizada no município, e a família Sá ficou impedida de participar diretamente do pleito, apoiando o nome de Antonio Portela. Do lado da família Tapety concorreu Alekssandra Tapety, esposa de Tapety Neto. Situação parecida ocorre no município de Uruçuí, onde o ex-prefeito Chico Filho (PMDB) também se encontra inelegível. Chico Filho vem se revezando à frente da Prefeitura de Uruçuí, com candidatos da oposição, desde 2002.

A última eleição, ele perdeu para um candidato do PT, o médico Valdir Soares. Atualmente, o nome de Chico Filho é um dos lembrados para as eleições deste ano, mas ele também está impedido de ser candidato. Entre outras pendências, o ex-prefeito enfrenta acusação de desvio de recursos do SUS (Sistema Único de Saúde).

Chico Filho chegou a ser preso em uma operação da Polícia Federal, em janeiro de 2011, juntamente com mais sete prefeitos e ex-prefeitos do Piauí. Em São Raimundo Nonato, o ex-prefeito Avelar Ferreira, também de tradicional família política do Piauí, é réu em cinco ações na Justiça Federal, três por improbidade administrativa e dois penais por Crimes de Responsabilidade. As denúncias contra o ex-prefeito partiram do Ministério Público Federal e os processos estão em andamento.

Nos casos em que os gestores forem condenados, mesmo tendo registrado sua candidatura, se as condenações sofridas tiverem sentença cassando os direitos políticos, até mesmo depois de eleitos, eles poderão ser alcançados pela Lei da Ficha Limpa. O registro de candidatura daqueles que ainda não tenham sentença colegiada é válido. A procura por alternativas de nomes dentro das famílias também tem como objetivo evitar que no decorrer do processo eleitoral as lideranças sejam prejudicadas.

Filhos, irmãos, primos e cunhadas estão virando alternativas de candidatura depois da aprovação da Lei da Ficha Limpa. A expectativa é que mesmo as lideranças barradas pela lei possam transferir votos para os novos nomes e assim manter a tradição política de suas famílias nos municípios. Os novos nomes não podem ter processos em andamento para não serem alcançados pela lei e eliminar riscos.

Com informações Diário do Povo

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