Nordeste: seca de cinco anos está perto do fim
- A estiagem prolongada de cinco anos no Nordeste brasileiro, agravada pelo intenso fenômeno El Niño, causou prejuízos severos à agropecuária regional, resultando na morte de rebanhos, secagem de rios e desistência produtiva de diversos agricultores locais.
- A transição climática para o La Niña promete reverter o cenário de seca histórica dos últimos cinquenta anos, com previsão de chuvas intensas entre dezembro e o primeiro trimestre do próximo ano para toda a região.
- A meteorologista Desirée Brandt projeta um verão generoso com recuperação da umidade do solo, destacando volumes pluviométricos expressivos no Matopiba e no Ceará, apesar da interferência pontual de vórtices ciclônicos que retardam o retorno das precipitações.
A falta de chuva no Nordeste é responsável por 60% do prejuízo causado por problemas climáticos no Brasil. Não era para menos. Com cinco anos de estiagem, rios secaram na região, animais morreram e vários produtores desistiram de plantar.
Vivemos nesse período um dos El Niños mais fortes da história. Ele foi um dos grandes responsáveis pela estiagem. O fenômeno agora mudou. Com o La Niña em curso, o quadro é outro. As chuvas vão retornar para o Nordeste. Em algumas localidades isso já aconteceu.

Neste momento estamos com uma janela de tempo seco no Nordeste por causa de um sistema meteorológico chamado de vórtice ciclônico de altos níveis, o VCAN. Este sistema impedirá apenas momentaneamente a atuação das instabilidades.
Segundo Desirée Brandt, meteorologista da Somar, em dezembro as chuvas já retornam para o Matopiba e, no primeiro trimestre do ano que vem, serão intensas.
Em algumas cidades do Ceará, como é o caso de Morrinhos, a previsão indica mais de 700 milímetros em 30 dias. No oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí, a situação também será bem melhor.
Em algumas localidades, a umidade do solo já aumentou e apresenta índices de 60%. “Será um verão generoso para os produtores nordestinos, que já foram tão penalizados”, diz Desirée.
Fonte: Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural
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