Número de trabalhadores resgatados em condição de escravidão no Piauí supera 2020
- O Ministério Público do Trabalho no Piauí resgatou 56 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante o ano de 2021, superando os 44 casos registrados no ano anterior, quando as fiscalizações foram impactadas pela pandemia.
- A extração de pó da palha de carnaúba concentrou a maioria das ocorrências com 33 vítimas, seguida pela catação de raiz e extração de madeira, evidenciando a persistência de irregularidades graves no setor agroextrativista estadual.
- As inspeções do MPT-PI revelaram que os trabalhadores enfrentavam alojamentos precários sem higiene, ausência de equipamentos de proteção individual e supressão de direitos trabalhistas básicos, consolidando um histórico de 484 resgates entre 2016 e 2020.
Em 2021, 56 trabalhadores em situação análoga à escravidão foram resgatados no Piauí, segundo um levantamento divulgado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-PI) nesta segunda-feira (20). O número de pessoas resgatadas neste ano foi maior que o registrado em 2020, quando 44 trabalhadores foram encontrados em condição de escravidão.
Os setores em que mais pessoas foram resgatadas no estado foram na extração de pó da palha da carnaúba (33), catação de raiz (19) e extração de madeira (4).
Segundo o procurador-chefe do MPT-PI, Edno Moura, o número de pessoas resgatadas pode ter sido menor em 2020 devido à pandemia da Covid-19, que prejudicou as fiscalizações.

“Tivemos várias ações fiscalizatórias, tanto feitas após denúncias que recebíamos quanto por fiscalizações de rotina através de projetos como o MPT Itinerante, em que levamos as ações do Ministério ao interior do estado”, comentou.
De acordo com o órgão, entre os anos de 2016 e 2020, 484 trabalhadores em situação análoga à escravidão foram encontrados nos seguintes setores: produção florestal (174), cultivo de grãos (65), extração de pedras (36) e cerâmica (9). Os municípios onde mais ocorreram os resgates foram Santa Cruz do Piauí (29), Esperantina (26) e São João da Serra (25).
A maioria das irregularidades foi relacionada aos alojamentos sem condições mínimas de conforto e higiene, falta de equipamentos de proteção individual e ainda trabalho com registro na carteira, em que direitos trabalhista foram retirados.
Fonte: G1 Piauí | Foto: Divulgação/MPT
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