“O problema da violência doméstica começa no seio da família”, diz Nega Mazé
- O estado do Piauí registrou vinte e seis homicídios de mulheres em dois mil e onze, sendo três ocorrências concentradas na região de Picos apenas no mês de dezembro, perpetrados majoritariamente por ex-parceiros.
- Maria José Alves do Nascimento, conhecida como Nega Mazé e coordenadora da União das Mulheres do Piauí, alertou para a incapacidade estrutural da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Picos em conter a escalada da violência.
- A entidade planeja realizar uma audiência pública nos próximos meses para discutir medidas preventivas, enfatizando a necessidade urgente de conscientização familiar e o fortalecimento das denúncias imediatas por parte de familiares e vítimas.
Os índices de violência contra a mulher assustam e revelam um lado preocupante da realidade piauiense: foram 26 homicídios em 2011. Desse total, três foram registrados na região de Picos apenas no mês de dezembro. Os principais suspeitos têm uma característica em comum: tiveram envolvimento emocional com as vítimas.
Preocupada com a situação, a coordenadora da União das Mulheres do Piauí – Núcleo de Picos, Maria José Alves do Nascimento, a Nega Mazé, revelou que a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Picos não apresenta estrutura capaz de conter esse índice. “A UMP tem uma preocupação muito grande porque se a Delegacia da Mulher não for especializada, ela não conseguirá atender a demanda de casos”, explica.
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De acordo com ela, o aumento no consumo de bebidas alcoólicas, festas e drogas durante o final de ano contribuíram para o crescente número de casos. “É desesperador porque tivemos além das mortes situações de tentativa de homicídio, ameaças, estupro e agressões físicas”, diz ela.
Nega Mazé lembra que a mulher que sofrer qualquer tipo de agressão deve fazer uma denuncia imediata. “Em casos de homicídio, a família deve denunciar o suspeito, pois essa é uma forma de ajudar a polícia a realizar o flagrante”.
A UMP – Núcleo de Picos pretende realizar uma audiência pública nos próximos meses para debater a questão da violência contra a mulher na cidade. “É possível prevenir esses crimes. A primeira coisa é realizar uma formação na base, nas famílias”, disse a coordenadora.
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