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OMC: dezenas de picoenses caem em golpe da pirâmide; delegado alerta para crime

A proposta parece tentadora e desvia muitos de analisarem a chamada “pirâmide financeira”, que tem sido cada vez mais comum e das mais diversas formas, a fim de ludibriar as pessoas

“Quanto mais se investe, mais você ganha!”. A proposta parece tentadora e desvia muitos de analisarem a chamada “pirâmide financeira”, que tem sido cada vez mais comum e das mais diversas formas, a fim de ludibriar as pessoas e facilitar que as mesmas caiam em golpes financeiros.

Assim foi com a plataforma Omnicom, ou OMC, que é uma empresa que de fato existe, nos Estados Unidos, e que atua como uma das maiores agências de publicidade da sociedade gestora de participações sociais do mundo. Com ela [empresa], golpistas viram a oportunidade de fazer várias vítimas e retirar delas do pouco ao muito.

No “jeitinho brasileiro” a plataforma funcionava da seguinte maneira: a pessoa investiria determinada quantia de dinheiro (era utilizados níveis, chamados de “VIPS”, que eram os passaportes para que os interessados adentrassem na plataforma) e, a partir dali, todos os dias realizava tarefas – como curtir pessoas e vídeos nas redes sociais – e, ao fim do dia, o cumprimento das mesmas geraria dinheiro em uma conta virtual na própria plataforma.

Por exemplo, se a pessoa garante o VIP 1, no valor de R$240,00 (cujo valor poderia ser dividido no cartão de crédito), todos os dias, após curtir vídeos no Instagram, Youtube, Kwai e Tiktok, a pessoa receberia R$ 10,00. Ou seja, ao fim do mês, ela já teria recebido o que investiu e teria um pouco mais de dinheiro para sacar.

Com isso, “quanto mais se investia, mais se ganhava”, além do recrutamento de pessoas, que também gerava porcentagens a quem recrutasse.

Muitos picoenses adentraram na plataforma, que vem fazendo vítimas na cidade desde o mês de outubro. Algumas vítimas procuraram o Portal RiachãoNet para denunciar o golpe e apontar uma pessoa como responsável.

A fim de evitar represálias e encargos judiciais, todos os nomes serão resguardados.

O responsável, o senhor G.S.V. foi um dos primeiros picoenses a adentrarem na plataforma. Segundo ele, o mesmo foi lesado em mais de R$ 60.000,00 de seu próprio bolso, além de mais de R$ 40.000,00 que havia “ganhado” da plataforma, mas que, ao invés de sacar, decidiu investir no próprio Grupo OMC.

O senhor V.H., denunciante, relatou que várias pessoas, inclusive ele, acham que G.S.V. é um dos arquitetos do golpe. Mais de 20 pessoas já fizeram Boletim de Ocorrência para que o caso seja apurado.

“Por um momento ele se denominou diretor regional da OMC aqui em Picos. Depois, quando as coisas começaram a dar errado, o perfil das redes sociais mudou e ele alegou que era assistente financeiro. Nós temos comprovantes de que ele realizou pagamentos utilizando a própria conta para as pessoas. Ele mesmo disse que devolveria nosso dinheiro se fosse golpe”, disse V.H.

Em contrapartida, o Portal RiachãoNet conversou com o senhor G.S.V. e este disse que esse pagamento era comum. “A própria plataforma nos enviava mensagem para que fizéssemos esses pagamentos. Não era apenas eu, éramos várias pessoas do país todo realizando pagamentos para outras pessoas do país todo”, explicou.

Após fidelizar várias pessoas em Picos e região, nos VIPS 1 a 3, a empresa começou a mudar as regras. Os saques que poderiam ser feitos todos os dias, agora somente poderiam no final de semana, além de terem escalonado os valores: 1º saque: R$ 22,00; 2º saque: 100,00; 3º: 300,00; e 4º: R$ 500,00. Para alcançar o valor do 4º saque, seria necessário um investimento maior a fim de não precisar esperar muitas semanas para retirada do valor. Ou seja, os golpistas incentivavam, direta e indiretamente, que as pessoas investissem cada vez mais, para que pudessem sacar o dinheiro, mas, no último final de semana, a farsa se desenrolou e os criminosos deixaram de realizar os pagamentos das atividades feitas pelos investidores, anunciando, assim, o golpe.

“Aqui em Picos a plataforma está funcionando desde novembro. Do final de dezembro para início de janeiro ela inflou com a quantidade de pessoas que adentrou e cresceu. Utilizaram-se de várias promoções que amarraram os investidores. Quando se fazia o pedido de saque, era 8h para receber o dinheiro. Na última sexta-feira, quando fizeram os pedidos de saque, o dinheiro não caiu, e os supervisores disseram que tinham o prazo de 48h para pagar, mas ninguém nunca fez o pagamento”, explicou V.H.

Os investidores desconfiaram da participação de G.S.V. por ele ter fechado a loja que havia aberto para o grupo, desde o mês de dezembro, além de ter saído do grupo onde se comunicava com os investidores.

“A desculpa da empresa para o não-pagamento foi que a empresa sofreu um ataque hacker e que o pagamento seria feito às dez da manhã de ontem. O G.S.V saiu de todos os grupos e inativou a conta. Já os superiores, permaneceram no grupo, mas como inativos”, disse V.H.

G.S.V. alegou que foi tão vítima quanto os demais e que está arrasado emocionalmente, além de temer por sua vida, visto que muitos têm espalhado nas redes sociais seu nome, nome de sua mãe, dados pessoais e filmado a fachada de sua casa.

“Tenho recebido muitas ameaças. Estão espalhando meus dados e a frente de minha casa. São muitas as mensagens de ameaças que recebo. Tenho temido por minha vida e de minha família. Meus familiares disseram que eu deveria sair da cidade, mas essa é a atitude de um criminoso, e isso não sou. Fiquei e confio na justiça para provar que também fui vítima e não lesei ninguém. Assim como eles confiaram na empresa, eu também confiei. Tenho vindo à delegacia todos os dias, estou colaborando com a justiça porque quero provar que não fiz nada, que fui vítima também”, disse G.S.V. aos prantos.

O delegado responsável pelo caso, Petrônio Henrique, frisou que já chegou o momento das pessoas deixarem de cair em golpes como esses e pontuou que o caso está sendo investigado, contudo, devido à sua complexidade, não se sabe se será solucionado.

Delegado Petrônio Henrique – Foto: Romário Mendes

“Entraremos em contato com as policias civis de todo o país, mas o que temos são apenas números telefônicos. Nem o nome desses superiores temos. É um caso complexo e que faremos o que estiver ao nosso alcance, mas não é fácil, pois a pessoa pode ter um número do Paraná e estar em Picos. Há facilidade hoje para se cadastrar um telefone sem a necessidade de um CPF, ou então eles utilizam CPF’s de outras pessoas. Já está na hora das pessoas deixarem de cair em golpes como esses que prometem dinheiro fácil. Não tem como eu investir algo e receber mais de 100% do que investi. Está claro que é um golpe! Aqui em Picos teve gente que vendeu a moto para investir e acabou sem o veículo e sem o dinheiro”, declarou.

Petrônio Henrique alertou ainda para uma nova plataforma que as mesmas pessoas envolvidas com a Omnicom estão divulgando.

Delegado Petrônio Henrique – Foto: Romário Mendes

“Soube que esses mesmos que estavam nos grupos como ‘superiores’ já estão recrutando pessoas para uma nova plataforma: a Vikius. É importante alertar as pessoas para que evitem contato com essas pessoas e, especialmente, que caiam em golpes que oferecem dinheiro com facilidade”, destacou.

O tema também foi pauta de reportagem do Jornal SBT Brasil da noite desta quinta-feira (13). Assista ao vídeo:

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