Polícia Civil aponta desvio de R$ 5,3 milhões na Prefeitura de Pio IX e diz que recursos teriam financiado esquema de exploração sexual
- A Polícia Civil do Piauí indiciou o prefeito Silas Noronha, seu sobrinho Samuel Noronha e o ex-servidor Francisco Liedson por um esquema de desvio de R$ 5,3 milhões em contratos públicos durante o ano de 2025.
- Investigações apontam que a Prefeitura de Pio IX utilizou contratos fraudulentos de combustíveis com notas fiscais incompatíveis com a capacidade de armazenamento da empresa, conforme relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Piauí.
- O inquérito revela que parte dos recursos desviados financiava um esquema de exploração sexual de menores, com os envolvidos utilizando empresas de fachada e laranjas para movimentar o dinheiro ilícito destinado ao aliciamento das vítimas.
Polícia Civil do Piauí detalhou como funcionaria o suposto esquema de desvio de recursos públicos investigado no município de Pio IX. Segundo o inquérito policial, aproximadamente R$ 5,3 milhões teriam sido desviados apenas em 2025 por meio de contratos considerados fraudulentos, e parte desses valores teria sido utilizada para financiar um esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes.
O caso resultou no indiciamento do prefeito Silas Noronha (PSD), do sobrinho dele, Samuel Noronha, e do ex-funcionário da Prefeitura Francisco Liedson, apontado como denunciante do esquema. Os três respondem ao processo em liberdade.
O Cidadeverde.com informou que entrou em contato com a defesa do prefeito, que declarou não se manifestar sobre o indiciamento neste momento.
Relatório do TCE embasa investigação
Conforme o inquérito, uma das principais frentes da investigação envolve um contrato firmado entre a Prefeitura de Pio IX e uma empresa fornecedora de combustíveis.
De acordo com relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), utilizado pela Polícia Civil, a empresa teria emitido notas fiscais referentes ao fornecimento de combustíveis em quantidade incompatível com sua capacidade de armazenamento cadastrada junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Para os investigadores, essa incompatibilidade técnica indica que parte dos combustíveis descritos nas notas fiscais não teria sido efetivamente fornecida ao município, configurando pagamentos supostamente irregulares.
Segundo o relatório, os contratos investigados movimentaram mais de R$ 5,3 milhões somente em 2025.
O delegado-geral da Polícia Civil, Lucy Keiko, afirmou que as informações sobre os possíveis desvios serão encaminhadas à Delegacia de Combate à Corrupção.
“No decorrer do inquérito, é importante frisar que descobrimos desvio de verbas públicas. Somente em uma empresa de combustíveis, mais de R$ 5 milhões foram movimentados de forma totalmente estranha, conforme apontado em relatório do Tribunal de Contas do Estado. Esse material, inclusive, está sendo encaminhado à nossa Delegacia de Combate à Corrupção para adoção das providências cabíveis nesses desvios de verbas públicas.”
Investigação relaciona desvios ao suposto esquema de exploração sexual
Segundo a Polícia Civil, as investigações concluíram que os recursos públicos supostamente desviados não teriam sido destinados apenas ao enriquecimento ilícito.
O inquérito sustenta que valores obtidos por meio de empresas de fachada, contratos simulados e pessoas interpostas (“laranjas”) teriam sido utilizados para financiar um esquema de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Ainda conforme a investigação, Samuel Noronha e Francisco Liedson seriam responsáveis pelo aliciamento e pelo contato com vítimas em situação de vulnerabilidade, que, segundo a Polícia Civil, recebiam pagamentos.
Outro elemento citado pelos investigadores é um comprovante de transferência via Pix realizado por uma empresa do ramo de autopeças para um dos investigados. A Polícia Civil afirma que a movimentação reforça a hipótese de que empresas contratadas pelo município integrariam a estrutura utilizada para movimentar recursos públicos supostamente desviados.
O inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI), que analisará o material para decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
Os investigados respondem ao processo em liberdade e terão assegurados o contraditório e a ampla defesa durante o andamento da ação.
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