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Repórter viveu uma imersão para aprender nova língua e poder contar a história de comunidade de surdos no Fantástico

Equipe da Rede Clube celebra a oportunidade de poder mostrar peculiaridades e cobrar políticas públicas para o município no sertão do Piauí.

Inclusão parece ser a base de toda a estrutura no povoado de Várzea Queimada, no município de Jaicós, no sertão do Piauí. Para contar no Fantástico a história curiosa e de resistência da comunidade de surdos que criou uma nova língua de sinais, a equipe da Rede Clube também vivenciou dias de acolhimento e muita integração. O repórter Renan Nunes conta que a experiência foi tão envolvente que lhe trouxe muitos aprendizados, inclusive alguns gestos da língua CENA. As informações são da TV Clube, afiliada Rede Globo.

“O maior desafio foi identificar o que era essa língua. Eu não me comunico em Libras, nossa língua oficial de sinais, agora imagina conhecer uma língua nova! Mas sou curioso o suficiente para não olhar só de longe, queria participar do que estava acontecendo… Foi desafiador aprender o básico para me comunicar naquela língua nova – a língua Cena, e fiquei feliz em ter aprendido. No terceiro dia de gravação já estava solto, inserido na comunidade e me comunicando em sinais, o suficiente para conseguir interagir com as pessoas. Foi muito legal!”, conta Renan Nunes.

A reportagem produzida por Michele Sales, com imagens de Francisco Cardoso e apoio técnico de Raimundo Soares, contou com mais de dois meses de pesquisa e apuração de dados sobre a comunidade, que até então era conhecida somente pelo artesanato em palha de carnaúba.

“Quando descobrimos que eles têm um jeito único de ser comunicar, pesquisamos e notamos que o que acontece ali é um fenômeno muito particular, que ocorre em pouquíssimas partes do mundo e tem uma força curiosa muito grande, desperta muito interesse”, explica Renan Nunes.

TV Clube
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E Michele Sales, produtora de conteúdo nacional da Rede Clube destaca os sentimentos de poder mostrar essa peculiaridade a todo o Brasil.

“Como jornalista que ama contar histórias, essa pauta foi um presente. No final a certeza de dever cumprido é imensuravél. Contar a história de Várzea Queimada traz uma mistura de contentamento – pelo povo que vive e resiste ali – e indignação, pela falta de atenção por parte do poder público. Criaram uma língua própria de sinais, existe inclusão porque todos se comunicam e se envolvem – sejam surdos ou não surdos – o artesanato é belíssimo e merece ganhar o mundo…mas até hoje água encanada é uma raridade por lá. Saber que o Brasil conhece hoje as peculiaridades daquela região é motivo de orgulho, mas existe também uma cobrança para que se olhe mais de perto para aquelas pessoas”, destaca a jornalista.

Para a equipe da Rede Clube, o sentimento que fica após o conteúdo exibido no Fantástico é de muito aprendizado com aquela comunidade no sertão do Piauí.

“A maior lição que essa reportagem deixa é da empatia e inclusão, que desconhecem qualquer limite. Pois, mesmo sem ajuda externa, sem nenhum tipo de política pública, eles conseguiram se virar e incluir. Surdos e não surdos vivem muito bem, se comunicando, com uma limitação que é completamente vencida pela língua CENA”, frisa Renan Nunes.

O fato que acontece em Várzea Grande é tão relevante que pesquisadores do Brasil e do exterior estão produzindo um dicionário para preservar a língua. O tema, inclusive, ganhou uma extensão com maior detalhamento no podcasts ‘Isso é Fantástico’. No episódio ‘Uma nova língua de sinais no sertão do Piauí disponível nas plataformas streaming, Murilo Salviano e Renan Nunes falam mais desse assunto e conversam ainda com o antropólogo Éverton Pereira e os linguistas Anderson Almeida Silva e Andrew Nevins, que estiveram na localidade pesquisando as diferentes formas de comunicação existentes entre os moradores.

“A gente ficou muuuuuuito contente em descobrir que o podcast era nosso. Caramba! Sensacional! Porque é outro público, outra plataforma…então o material ganhou ainda mais projeção”, comemora a produtora Michele Sales.

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