Telegram cumpre ordem do STF, bloqueia contas e evita sair do ar
- O Telegram bloqueou três perfis ligados ao comunicador Allan dos Santos após ordem do ministro Alexandre de Moraes, evitando a suspensão do serviço por 48 horas e o pagamento de multa diária de cem mil reais.
- A decisão judicial foi notificada a um escritório de advocacia que representa a empresa russa no Brasil, superando a dificuldade de intimação enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal desde o início das investigações em janeiro.
- Autoridades brasileiras seguem preocupadas com a disseminação de desinformação no processo eleitoral, visto que o Telegram permite grupos massivos e não demonstra disposição em implementar medidas eficazes para barrar conteúdos inverídicos na plataforma digital.
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou que o aplicativo de mensagens Telegram cumpriu nesse sábado (26) a ordem do ministro Alexandre de Moraes para bloquear três perfis do serviço em 24 horas. Com isso, a plataforma evitou ser tirada do ar por 48 horas no Brasil. As informações são da Agência Brasil.
Moraes havia estipulado também multa de R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento da ordem. Os perfis, segundo a decisão, estão relacionados ao comunicador Allan dos Santos, que é alvo de um inquérito no Supremo sob a “suspeita de liderar esquema de financiamento de milícias digitais no Brasil”, diz texto publicado na página do tribunal.
O ministro havia determinado o bloqueio das contas do Telegram ainda em janeiro, mas o Supremo não conseguiu intimar a representação no Brasil da empresa responsável pelo aplicativo.
Na nova decisão, o ministro determinou que a notificação seja feita a um escritório de advocacia que é procurador no Brasil da empresa responsável pelo Telegram, que tem origem na Rússia e mantém hoje sede em Dubai, nos Emirados Árabes.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também vem tentando oficiar o Telegram para que coopere no combate à desinformação durante o processo eleitoral deste ano, mas as tentativas de correspondência não obtiveram sucesso até o momento.
As autoridades temem que o Telegram seja palco para a desinformação no país durante o processo eleitoral porque o aplicativo não tem demonstrado disposição para implementar meios de barrar a disseminação de informações sabidamente inverídicas.
No aplicativo, por exemplo, é possível formar grupos com centenas de milhares de pessoas, que recebem mensagens simultaneamente. O principal concorrente, o WhatsApp, por exemplo, permite grupos de apenas 300 pessoas.
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