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UESPI: a universidade dos heróis, comparando-se com a Europa

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UESPI de Picos - Foto: Arquivo

Cada dia que chego aqui na UMA – Universidad de Málaga – na cidade de Málaga, região da Andaluzia (Sul da Espanha), tenho mais certeza quanto nossa UESPI – Universidade Estadual do Piauí – deveria ser chamada Universidade dos Heróis.

É notório que a maioria das universidades da Europa, inclusive as da Espanha (país que me acolhe tão bem), passa por fortíssima crise. Mesmo assim estão há anos-luz em muitos aspectos à frente das universidades brasileiras.

Enquanto temos na Europa laboratórios e mais laboratórios, nós da UESPI, queríamos ao menos um laboratório de informática por campus (funcionando e com Internet básica). Aqui tenho internet de altíssima velocidade em todo o campus. Enquanto brigamos para chegarmos aos cem livros de uma área para nossas bibliotecas (isso quando existe e funciona) por cá temos uma biblioteca inteira somente para a área de Comunicação. Enquanto estão sendo construídos dez novos prédios na Universidad de Málaga (com crise e tudo – um deles para Comunicação) os alunos da UESPI querem apenas um único para poderem estudar. Os de Picos, coitados, ficam rebolados em vários lugares porque o que existe ameaça desabar (e já faz tempo).

Málaga é muito menor que Teresina, mas tem uma estrutura física e laboratorial melhor do que qualquer universidade do Nordeste do Brasil. A estrutura de trabalho para os professores é espetacular.

Mesmo com tanta diferenciação em estrutura (a maior delas), ambiente de estudo, ambiente de trabalho, formação docente e outras vantagens: sou mais a UESPI. Não vim contar vantagem de onde estou, vim comparar e trazer uma reflexão para a universidade que trabalho, que faço pesquisa e extensão e que tenho objetivo de permanecer por toda minha vida profissional.

A UESPI hoje é a segunda mais importante universidade do Piauí em termos globais. No interior do estado é a mais importante. A grande parte dos professores dos ensinos básico e médio que atuam no interior do Piauí são formados pela UESPI. É a Universidade Estadual do Piauí que está presente nas regiões mais pobres do estado, justamente aquelas que os políticos mais amam por conta do histórico analfabetismo. A UESPI desenvolve uma série de patentes e pesquisas de qualidade. Mesmo tendo quase dez vezes menos doutores que a UFPI, em muitas áreas da UESPI, proporcionalmente, há muito mais pesquisas e resultados práticos que sua co-irmã mais velha e endinheirada.

O principal capital da UESPI é composto por seus alunos, pessoas com uma iluminação e sofrimento ímpares. A maioria de origem humilde, muitos são as primeiras pessoas de uma família a terem uma oportunidade no ensino superior.

É a UESPI que tem proporcionado um super-fenômeno social. Aos poucos as pessoas formadas por essa instituição têm conseguido fazer revoluções silenciosas: em suas escolas, em suas profissões, em suas ruas, em suas famílias, mudando aos poucos a visão de uma população historicamente alijada pelos poderes públicos.

Sonho em um dia chegar na UESPI e ter a mesma estrutura física, de condições de trabalho e salariais que tem o professor europeu. Se com esse muito pouco nossos alunos brilham Brasil afora, imagino com tudo isso. Imagino só o dia em que os governos se mancarem e derem o real valor da UESPI.

Uma das principais conclusões dessa minha estada em terras europeias é que a UESPI tem de mudar de nome: deve ser chamada de Universidade dos Heróis.

Me orgulho muito de trabalhar há quase dez anos nessa universidade, de fazer pesquisas em prol do nosso Piauí e, principalmente, de esbravejar em prol de nossa universidade.

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