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‘A angústia do outro sem poder respirar também nos mata aos poucos’, diz técnico de enfermagem

Profissionais relatam cansaço na luta contra a doença em Picos

Na última semana as vagas disponíveis de leitos clínicos e de UTI no Hospital Regional Justino Luz de Picos sofreram uma baixa. A enfermaria esteve completamente lotada, o que obrigou a direção a providenciar, de forma improvisada, novas acomodações para os pacientes que adentrassem a unidade de saúde, aumentando o número de 35 para 43 leitos.

Os leitos da unidade de terapia intensiva estão atuando em 81,25% de sua capacidade total, segundo boletim divulgado pela assessoria de comunicação do HRJL na noite desta segunda-feira (15). Ou seja, de 16 leitos disponíveis para o tratamento de pessoas com síndromes respiratórias, apenas três leitos estão desocupados.

Os números têm preocupado não apenas a população em geral, mas também aos profissionais de saúde que já vêm há um ano sendo esgotados física, mental e emocionalmente, segundo depoimentos obtidos pelo Portal RiachãoNet.

Alicia Ellen de Aguiar, enfermeira atuante área Covid do Hospital Regional Justino Luz de Picos, falou que a aflição tem tomado de conta dos profissionais nessa “segunda onda” da doença e que é necessária a colaboração da população na luta contra a pandemia.

Alicia Ellen, enfermeira atuante área Covid do HRJL

“A equipe toda está esgotada mentalmente. Cada dia é um paciente novo, uma família apreensiva com a qual também temos que lidar. Ontem estive de plantão por 24 horas e o que posso dizer é que saí ‘arriada’. Há certos momentos em que a gente se vê em desespero, em aflição, como se não houvesse saída. É uma situação triste, mas que temos dado não apenas nosso suor, mas nosso sangue para salvar as vidas que ali entram, da maneira mais profissional e humana que existe. Por isso é preciso que as pessoas nos ajudem nessa batalha, porque somos poucos para muitos”, declarou a enfermeira.

Especializado em Urgência e emergência e socorrista do SAMU, o técnico de enfermagem do HRJL no setor Covid, Josafá dos Santos, declarou que a luta contra a doença tem deixado a todos desgastados, especialmente por vivenciarem a dor de tantas pessoas diariamente.

“Os dias têm sido difíceis. Ao tempo em que passam devagar também estão apressados. Nosso cronômetro corre ligeiro. A angústia do outro sem poder respirar também nos mata aos poucos. É doloroso ver o próximo sem poder respirar. Isso e outros problemas da lida com os pacientes têm nos deixado com medo, ansiosos, preocupados com nossas famílias. Não temos mais tanta paz. É uma doença que tem levado muitos e a sociedade precisa acordar para essa realidade”, disse ele.

Josafá dos Santos, técnico de enfermagem no setor Covid do HRJL

O técnico de enfermagem alertou que a falta de respiração não é nada agradável e por isso todos deveriam estar atentos à doença e as complicações que ela pode trazer durante seu percurso.

“Muitos passam pela doença sem muitas complicações, mas há aqueles que sofrem graves consequências. Ter dificuldade para respirar não é nada bom. Vemos nossos pacientes sofrerem todos os dias com isso. São pessoas que passaram pela sala de estabilização esperando uma vaga, outras estão na enfermaria, outras tantas na UTI, todas necessitando de ar ambiente, tendo que se submeter a oxigênio para conseguirem respirar, fisioterapia respiratória, máscaras de Venturi… são tantas coisas e muitos seguem desrespeitando suas próprias vidas e daqueles que convivem com elas. Ninguém pode afirmar que vai passar por um estado leve da doença. Ela é uma incógnita”, frisou.

Josafá dos Santos apelou para que a população siga as medidas restritivas da OMS, dos governos e tenham mais empatia pelos profissionais que estão lutando por muitos e dando, muitas vezes, suas vidas para salvar a de alguém desconhecido.

“Cerca de 80% dos pacientes com COVID-19 podem ser assintomáticos. Destes, aproximadamente 20% dos casos detectados requer atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória, dos quais aproximadamente 5% podem necessitar de suporte ventilatório. Então nós, profissionais de saúde, seguimos medidas restritivas para ajudar nossa população. Pedimos para que todos fiquem em casa, usem álcool em gel 70%, lavem as mãos com frequência, utilizem máscara e não saiam de casa sem necessidade. Estamos aqui por vocês. Fiquem em casa por nós e por nossas famílias”, finalizou.

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