Artigo: Educar em tempos de cibercultura
- A ascensão da cibercultura impõe um desafio crítico aos docentes, que precisam transitar do modelo tradicional de ensino para a integração estratégica de tecnologias, transformando distrações digitais em ferramentas eficazes para a construção de conhecimento.
- A formação de cibercidadãos exige a internalização de normas éticas e valores sociais no ambiente virtual, combatendo práticas nocivas como a disseminação de discursos de ódio e a violação da privacidade alheia no ciberespaço.
- O desenvolvimento da cidadania digital transcende a educação formal, dependendo da edificação de uma consciência ética nas relações sociais, sendo urgente que instituições de ensino promovam uma didática voltada para a responsabilidade no ambiente conectado.
“Você tem uma nova mensagem no WhatsApp”, diz o gadget* do smartphone. Em fração de segundos a atenção foge completamente do conteúdo ministrado em sala de aula e adentra no ciberespaço, que está recheado de novas possibilidades de interação.
A cibercultura, aqui entendida como novo ambiente comunicacional que surge com a interconexão mundial de computadores, vem desafiar o professor diante da necessidade de educar o cibercidadão, que está imerso neste novo espaço de interação, sociabilização de ideias, comunicação, de produção e acesso a milhares de informações.
O professor que está acostumado ao processo tradicional de transmissão de conhecimento, passa a viver o duelo entre identificar esta “nova” cultura e estes “novos” espaços como aliados ou vilões no processo de ensino e aprendizagem.
A realidade é que não estamos preparados para lidar com os “ambientes virtuais” e muito menos para transformá-los em ferramentas de construção de novos conhecimentos, mas esta é uma necessidade urgente. E o desafio não para por aí, mais do que fazer uso destas demandas sociotécnicas de aprendizagem interativa, precisamos utilizá-las na formação de cidadãos.
A cibercidadania é definida por Howard Rheingold como “um contrato de representação social num caráter informal e não-escrito”, logo, são normas, valores, direitos e deveres refletidos na esfera do mundo virtual. Pierre Lèvy definiu o conceito como “um conjunto de técnicas, de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores no ciberespaço”.
Mesmo entendendo que os valores, normas, deveres do ambiente não virtual, se estendem para o ciberespaço, este conceito se torna paradoxal aos que se dizem “cibercidadãos”, que disseminam falsas acusações e falas preconceituosas no espaço virtual, que violam a intimidade alheia com a reprodução de conteúdos de caráter privado, entre outras ações.
Falhamos na formação desses cidadãos?
A formação do cidadão está vinculada a uma didática de valores que não se aprendem nas instituições de ensino apenas, mas, sobretudo na consciência ética, edificada nas relações sociais. Construir cidadania é também construir novas relações e consciências.
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*Lana Krisna de Carvalho Morais ([email protected]) é Jornalista, atualmente Professora e Coordenadora do Curso de Jornalismo do Instituto de Ensino Superior Raimundo Sá.
*Gadgets são miniaplicativos desenvolvidos para facilitar a vida dos usuários de smartphones, criando atalhos para as notificações dos aplicativos instalados, entre outras funções.
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