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Picos: A cidade que não preserva seu patrimônio histórico

Quem anda pelo centro de Picos e se depara com prédios modernos, nem imagina que o ambiente vem sendo modificado com rapidez. As demolições de edifícios históricos e casas antigas estão cada vez mais presente no cotidiano picoense, com destino a construção de novos pontos comerciais.

Picos vem se tornando uma cidade sem memória arquitetônica. A professora Oneide Rocha recorda que nas décadas de 60 e 70, a cidade era pequena, começava pela igrejinha do Sagrado Coração de Jesus e terminava nas proximidades dos Correios.

Igrejinha na década de 50 Foto: livro Picos nas anotações de Ozildo Albano.

“A zona urbana tinha a praça principal Félix Pacheco, na década de 60 a praça era grande e triangular, canteiros baixos, arborizadas com um coreto no centro, esse coreto era o lugar central, onde a juventude se juntava e se divertia, a banda de música vinha ao anoitecer tocar”, recorda.

A arquiteta e urbanista Raissa Nuala Feitosa, fala sobre essa problemática, principalmente por parte da população, que não se preocupa com a conservação dos edifícios históricos da cidade. Ela diz que a preservação é bem defasada e que em Picos não há nenhum tombamento, seja em nível municipal, estadual ou federal.

UM POUCO DA HISTÓRIA DE PICOS

Paredão Foto: livro Picos nas anotações de Ozildo Albano

A professora e secretária Oneide Rocha relembra que a área onde reside (em frente à praça Félix Pacheco), era conhecida como “paredão”, com casarões históricos.

Ela recorda que no centro não tinha muitas ruas, e cita algumas delas, tais como a Rua Coronel dos Santos que já foi chamada de “Rua dos Italianos”, Rua Treze de Maio, Rua Francisco Santos, a praça Josino Ferreira que foi construída entre as décadas de 60 /70.

Oneide fala também do mercado público, que foi inaugurado em 01 de janeiro de 1925, afirmando que o prédio hoje tem cerca de 93 anos, acrescenta ainda que, ele conserva a mesma estrutura de sua construção original, porém teve algumas modificações com as propagandas do comércio.

A energia existente em Picos era gerada por um motor que dava sinal as 21hrs, horário que sinalizava o desligamento da energia, e só voltava no dia seguinte ás 18hrs. As geladeiras existentes funcionavam a base de querosene. As águas eram armazenadas em filtros ou potes. Os carros eram conhecidos, pois o número de proprietários era limitado, o que facilitava sua identificação, ressalta a professora.

Com a instalação do 3º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) em Picos na década de 70, a cidade foi mudando, o fluxo de pessoas cresceu, a quantidade de carros aumentou, as pessoas desconhecidas que apareciam na cidade eram associadas aos integrantes do BEC, mesmo não sendo, afirma Oneide Rocha.

Nesse período também chegou a Picos o Campus avançado, um instituto que pertencia a Universidade Federal de Goiás, instaurado no regime militar, que tinha o intuito de censurar os universitários, porém proporcionou uma grande ajuda na formação dos acadêmicos, por ser o único centro de estudo superior da cidade, declara a secretária.

DESAFIOS PARA A MEMÓRIA ARQUITETÔNICA

Praça Félix Pacheco atualmente. Foto: Aparecida Mota

Tombamento é uma palavra de origem portuguesa e significa o ato de tombar algo, ou seja, utilizamos a palavra no sentido de registrar algo que é de valor para uma determinada sociedade protegendo-o por meio de leis específica. “Quando há algum bem tombado, as pessoas não compreendem muito bem o que isso quer dizer, tombamento”, explica a arquiteta Raissa Nuala Feitosa.

Com o passar das décadas, os traços de uma cidade vai deixando de existir, em razão do comércio que está a todo vapor. A coordenadora da engenharia e arquitetura da SEDEP-PI (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico do Piauí) Raíssa, declara que o motivo de não se preservar a arquitetura original de prédios antigos. Quando uma pessoa tem sua casa tombada, ela só vê a parte negativa do fato, porém esquece do tamanho do bem que o imóvel vai trazer a geração que está por  vir, complementa a arquiteta.

A professora Oneide Rocha em sua fala, diz que a falta de consciência da preservação da memória histórica e a questão capitalista, foram os maiores motivos para essa desconfiguração  das construções arquitetônicas existentes em Picos.

Igrejinha do Sagrado Coração de Jesus hoje. Foto: Aparecida Mota

Raíssa acrescenta que, quando o município não tem um órgão próprio, cabe a secretaria de cultura tomar as devidas providencias na questão da preservação do patrimônio histórico da cidade. “Em Picos quem deveria ser responsável quando não existe um instituto ou um conselho próprio do patrimônio urbanístico, é a secretaria de cultura, pois se é patrimônio é cultura, então esse órgão é responsável pela preservação histórica do local”, ressalta ela.

Quando você olha para um local e reconhece ter uma identidade, cria um vínculo com ele, e percebe que por traz do lugar tem uma história, seja no artístico, documental, antigo ou religioso, é patrimônio histórico e deve ser preservado, pois é de importância elevada para a futura geração.
Hoje o mundo é movido pelo capitalismo, e esse fato interfere em todo o ciclo existente, seja na saúde, história, bem estar, ensino, até mesmo na preservação de valores de uma comunidade. “Faltou planejamento urbano na cidade, um tombamento, uma consciência de preservação da arquitetura antiga, era para ter preservado pelo menos o centro histórico da cidade de Picos”, lamenta Oneide Rocha.

Em meio a falta de preservação arquitetônica da cidade, são poucos os prédios históricos que sobrevivem as demolições, em grande parte das vezes eles passam despercebidos aos olhos da população que trafegam todos dias ao logo do município. Conservar um bem público, garante uma boa história para contar amanhã, cabe a cada cidadão zelar pelo patrimônio da cidade, um ato de responsabilidade e respeito com a geração seguinte.

Por: Aparecida Mota
Acadêmica do 2° período de Jornalismo da Faculdade R.SáCompartilhar

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