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Redução de isolamento vai aumentar risco de transmissão, diz infectologista

O infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Corda considera que caso a medida entre em vigor, o risco de transmissão vai aumentar.

Diante das declarações do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de que pretende reduzir o tempo de isolamento de dez para cinco dias para os pacientes assintomáticos que testam positivo para Covid-19, o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Corda considera que caso a medida entre em vigor, o risco de transmissão vai aumentar. As informações são da CNN Brasil.

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (10), o médico avaliou que não há consenso na comunidade científica sobre o tempo de isolamento ideal, e que os riscos e benefícios de cada região devem ser analisados criteriosamente. De acordo com Croda, a redução para cinco dias iria beneficiar a preservação da força de trabalho, já que há um aumento exponencial do número de casos da variante Ômicron do coronavírus.

“A gente não tem consenso na comunidade científica a respeito desse assunto. É importante observar como vai evoluir a pandemia pra gente entender se é uma medida importante ou não, principalmente no que diz respeito de preservar força de trabalho. Que vai aumentar o risco de transmissão com certeza, mas às vezes esse risco compensa o benefício de preservar a força de trabalho”, disse.

Não vacinados e arrependidos 

Ludhmila Hajjar, médica intensivista e cardiologista, já havia declarado que os pacientes com covid-19 nas UTIs são aqueles que não tomaram a vacina contra a doença. Ela ainda chamou atenção para o alto número de profissionais de saúde infectados na nova onda de casos, em decorrência da variante Ômicron.

“As UTIs estão atualmente só com casos de covid entre os não vacinados. Os imunizados dificilmente passam do atendimento ambulatorial”, relatou a médica em entrevista ao jornal O Globo.

Enquanto pessoas imunizadas contra a covid-19 têm forma leves da doença, os não-vacinados, por outro lado, podem sentir o impacto de forma mais intensa. “A variável mais expressiva em relação ao perfil da doença, tem sido, definitivamente, o não vacinado.”

“Como intensivista, tenho visto cada vez mais pacientes internados arrependidos de não terem sido vacinados. Eles chegam com a forma grave da doença, se arrependem, porém, já é tarde.”

Em março de 2021, Ludhmila foi cotada para assumir o Ministério da Saúde no lugar de Eduardo Pazuello. A médica, no entanto, recusou o convite do presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o pesquisador, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA encurtou, em dezembro, o tempo recomendado de isolamento para cinco dias, mas com a condição de que a pessoa infectada continue usando “máscara bem ajustada” por dez dias, além da necessidade de estar vacinada.

“A gente sabe que o período de transmissão maior é o de dois dias antes de apresentar sintomas e três dias depois do início dos sintomas, e foi por conta disso que o CDC dos Estados Unidos justificou essa diminuição do tempo de isolamento”, afirmou o infectologista.

Croda considerou que cada país vem adotando uma medida diferente sobre o tema. No Reino Unido e na França, por exemplo, o tempo de isolamento permanece sendo de sete dias. “A nossa realidade tem que ser avaliada. Não devemos copiar o que os outros países já fazem, mas sim adaptar as nossas condutas de acordo com a nossa realidade”, considerou.

O pesquisador ainda considerou que a restrição de voos vindos de países africanos é uma medida discriminatória e desnecessária, uma vez que já há, no Brasil, uma transmissão comunitária da variante Ômicron. Croda ainda criticou o apagão de dados do Ministério da Saúde: “A gente está num voo cego, a gente ouve que está tendo um aumento mas a gente não sabe realmente quantificar de quanto é esse aumento”, concluiu.

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