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Vinte e seis mulheres foram assassinadas no Piauí em 2011

Delegacia da Mulher em Picos
Delegacia da Mulher em Picos

Na noite da última segunda-feira, dia 26, Renata Soraia de Sousa foi encontrada morta na rodovia federal BR 407, próximo ao campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) da cidade de Paulistana, localizada a 474 km de Teresina. A jovem de apenas 22 anos de idade estava desaparecida desde a noite do dia 25, quando informou a familiares que se encontraria com um suposto ex-namorado. O corpo, segundo policiais militares que atenderam a ocorrência, apresentava requintes de crueldades. Renata Soraia teria sido assassinada a pedradas.

O corpo de Renata estava em matagal de difícil acesso. Sua morte soma-se a de Silvana dos Santos (de 26 anos), em Alto Longá; a da doméstica Eliana Francisca de Jesus (44), Jaicós; Sueli Afonso Moreno (32), Elesbão Veloso – morta com 18 facadas -; a vendedora Francisca Rodrigues de Sousa (45), no bairro Buenos Aires, zona Norte de Teresina; Gracilda Raimunda da Conceição (46), Picos e vários outros casos de violência contra mulher que marcaram 2011.

Ao todo, conforme cálculo da delegada Vilma Alves, titular da Delegacia de Proteção à Mulher, foram 26 mulheres piauienses assassinadas neste ano. Em 2010, segundo o Mapa da Violência 2012 – Novos Padrões da Violência Homicida no Brasil, a taxa de homicídios de mulheres no Estado chegou a 2,6 dentro de um grupo de 100 mil habitantes. O índice coloca o Piauí em último lugar no ranking das violências contra mulheres.

Os números, segundo a delegada, refletem a cultura interiorana de machismo ainda praticada em todo o país. “O homem fala que a mulher é sua propriedade. Isso é errado, não existe”, considera Vilma Alves. Em muitos dos casos, de acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), divulgado em 2011, geralmente o agressor é o próprio marido, ex-marido, namorado ou companheiro da vítima frutos de brigas e desentendimentos.

Ainda segundo a pesquisa do CNM, a faixa etária mais afetada é a dos 20 a 29 anos, 30%. Depois, vêm às mulheres de 30 a 39 anos, as de 15 a 19 e as de 40 a 49 anos de idade. Os números divulgados pela delegacia consideram apenas as mortes, não contabilizando as ameaças, discussões, lesões corporais com socos, pontapés ou quaisquer outros tipos de objetos e as constantes humilhações morais. “Na sexta passada [23] efetuamos a prisão de homem com 30 anos de idade. Foi encaminhado para a Casa de Custódia, mas prometeu que no dia que saísse da unidade, mataria a companheira que o denunciou por violência doméstica”, relata Vilma Alves.

Álcool, ciúmes, drogas e o final do relacionamento são apontados como os principais motivos da violência contra mulheres. A única alternativa é a denúncia. De acordo com a delegada, para 2012 a delegacia planeja ações voltadas para uma mudança na conscientização. “A educação deve ser mudada. Estamos na época da informação. A mulher é dona de sua consciência, não deve obedecer a ordens. Merece respeito”, finaliza a delegada. O número 180 é a central de atendimento sobre violência contra a mulher oferecido pelo Governo Federal.

Jornal O Dia

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