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Startups: O abismo entre Universidade e Mercado

Professor doutor estuda a relação entre o mercado de Startups e Universidades.

A Coluna Marketing & Negócios dessa semana conversou com o professor, Marcus Vinicius Dantas Linhares, autor do livro C.H.O.Q.U.E.: Tratamento para o Surto Empreendedor, Mentor de Startups e Co-Founder da NAVE ACELERADORA, que está percorrendo 10 estados brasileiros, visitando 15 centros de inovação e aceleradoras, para entender a relação entre o Mercado de Startups e as Universidades no Brasil.  

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As universidades são agentes-chave no ecossistema empreendedor, sem sombra de dúvidas. Essa conexão gera efeitos positivos tanto para a academia, recebendo apoio, desenvolvendo os alunos e instigando a inovação, quanto para o ecossistema, que se beneficia do conhecimento gerado e da mão de obra qualificada.

“Mas, as Statups, na sua maioria, têm poucas referências acadêmicas”, segundo constatação do professor doutor Marcus Linhares. A percepção dessa falta de referência instigou a pesquisa cujo objetivo é entender “de quem é a culpa, da estrutura acadêmica, que tem pesquisas avançadas, mas não tem link com o mercado? Ou será o mercado que não tem paciência com a velocidade da academia? Tá na hora de buscar respostas!”, destacou Linhares.

Para o professor, na academia, ainda predomina o pensamento conservador aliado a um sistema burocrático que acaba prejudicando o alinhamento do avanço do conhecimento científico com as inovações, evolução e necessidades do mercado.

Professor/doutor, Marcus Linhares.

Ensinar os alunos, produzir conhecimento por meio de pesquisa acadêmica e levar os resultados à sociedade. Resumidamente, este é o tripé sobre o qual está alicerçado o ensino superior no Brasil. Entretanto, por fatores culturais e falta de investimento, a pesquisa que aproximaria as instituições de ensino superior (IES) do setor produtivo e redundaria em melhorias para a sociedade ainda engatinha. O Professor, Linhares, reconhece que há centros de excelência no Brasil, universidades que formam parcerias e apresentam importantes inovações, mas, de maneira geral, o resultado ainda é insatisfatório.

O pesquisador constatou que “existe uma distância gigante (entre universidade e mercado) e essa distância ainda vai continuar por muito tempo, enquanto as universidades não entenderem o mercado”. Muitas vezes a agenda de pesquisa é uma, mais longa, e a de mercado é outra, quase imediatista.

Em outros países, como Estados Unidos e Canadá, por exemplo, não há distanciamento entre universidade e indústria. Se compararmos o Brasil com o resto do mundo, ainda estamos muito longe de ter uma aproximação entre universidades e setor produtivo, que é no final das contas o destinatário de todo o conhecimento para gerar alguma coisa a favor do ser humano, seja um bem material seja um serviço. Se não existir conexão, fica uma coisa isolada, insaio de laboratório de universidade, sem utilidade.

Mapeando os pontos de inovação pelo Brasil, o professor Marcus Linhares, observou que estes polos atraem empresas para investir em inovação, criação de Startups e pesquisas, mas algumas universidades continuam fechadas.

“Observei que o mercado consegue investimento, nascem Startups, porem a universidade continua fechada. Alguns professores preferem não contribuir com essa abertura porque acham que isso pode desviar a identidade da Universidade. E não é assim, nenhuma instituição e nenhum ser, consegue sobreviver isolado.”, exclamou Marcus Linhares.

A verdade é que há muito a ser pensado. Como funcionará o alinhamento cultural entre pesquisa e mercado? Quais os esforços necessários para transformar a pesquisa em tecnologia, a tecnologia em inovação? Como organizar uma universidade sob a perspectiva de ecossistemas de empreendedorismo? Como fazer uma tradução de idiomas antagônicos: a linguagem de um cientista — que pensa em método e valoriza o rigor dos processos não influenciando nos resultados — com a do empresário — que pensa em resultados, muitas vezes sendo necessária a adaptação dos métodos? É o velho dilema dos marketplaces: é muito fácil identificar o gap de mercado, difícil mesmo é fazer o fit funcionar de maneira fluida.

Raí Silva Junior  – Jornalista, Publicitário, Especialista em Marketing. Pesquisador em marketing de vendas, mercado digital, varejo e comunicação estratégica.

 

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