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Zagueira das Abelhas Rainhas joga com lesão no joelho para time poder ir ao Brasileiro

Thaís Kaline é atleta das Abelhas Rainhas, que disputa o Piauiense feminino, seletiva para a Série A2 do Nacional. Ela, que também trabalha em loja de assistência de celulares, supera dor e limitações

São seis anos lidando com as dores, incômodos e limitações, mas nada que impeça Thaís Kaline parar de jogar futebol. É daí que TK, zagueira do time das Abelhas Rainhas, da cidade de Picos, tira toda a superação para contornar as dificuldades de quem precisa se revezar entre o atendimento em uma loja de assistência de celulares e os treinos e jogos do Campeonato Piauiense feminino, em Teresina.

– Neste ano, os treinos eram de manhã, a parte física . Eu ia, fazia menos que dois trabalhos e tinha que vir trabalhar. Quando saía 17h, ia direto para o estádio, não treinava nem 10 minutos e o treino já acabava – relatou, sobre a rotina.

TK, camisa 5 das Abelhas Rainhas — Foto: Stephanie Pacheco/GloboEsporte.com

A etapa mais difícil na carreira da atleta de 22 anos é justamente nesta reta final de 2019. Desde 2012, TK vinha administrando com fisioterapia e medicamentos um incômodo no joelho esquerdo. As dores nunca tiraram a zagueira do campo nem da dedicação ao futebol, mas o baque ao descobrir o grau da lesão quase a tirou de vez da sua maior paixão.

-Ano passado, torci o joelho direito e fiquei dois meses sem jogar na base da fisioterapia e também não tinha dinheiro pra fazer ressonância para saber (qual a lesão). Mesmo assim, continuei jogando – revelou a zagueira.

Há uma semana a confirmação indesejada: TK foi diagnosticada com uma lesão dos dois nos meniscos medial e lateral e possível estiramento no ligamento cruzado posterior, sendo necessária a intervenção cirúrgica, o que poderia tirar a jogadora de campo por tempo indeterminado. Poderia!! Para ajudar o time a ser campeão piauiense, o que colocaria a equipe na Série A2 do Brasileiro feminino, TK joga no sacrifício.

– Vamos fazer de tudo para conseguir minha cirurgia logo e voltar aos campos (sem dor) o mais rápido possível, mas enquanto isso eu vou no meu limite. Como disse, enquanto eu aguentar, puder me rastejar, vou lutar – disse.

A camisa 5 adiou o procedimento cirúrgico (que vai depender de uma vaquinha para acontecer) e esteve em campo os 90 minutos para ajudar o time, que contava apenas com duas atletas no banco de reservas. O amor e dedicação ao futebol falaram mais alto.

– Foi onde eu me surpreendi comigo mesma. Não fiquei triste, mesmo sentindo muito mais dor que antes só queria correr e dar tudo de mim na estreia. Não me preparei como minhas companheiras, não treinei como elas, mas no meu coração tinha tanta vontade de ajudar elas que não estava nem aí, fico sem perna mas não paro – reforçou a atleta.

TK e seu avô, Vicente — Foto: Arquivo Pessoal

A história de vida de TK é só superação. A primeira delas veio com a distância da família, quando começou a se aventurar para seguir a carreira de jogadora de futebol. Aos 16 anos, em busca de mais oportunidades, a zagueira saiu de Picos e percorreu os 306 km até Teresina chorando com saudades da mãe e avô.

– O grande Tiradentes abriu as portas para mim. Sai de casa numa madrugada e deixei minha mãe chorando na porta enquanto eu chorava o caminho inteira até chegar em Teresina. Descobri que futebol não é só mar de rosas, lidar com o mundo lá fora é bem mais difícil do que imaginamos. Neste mesmo ano, joguei o Piauiense e o Brasileiro pelo Tiradentes. Foi onde comecei sentir dores no joelho esquerdo, porém não lembrava de nenhuma pancada que havia sofrido e continuei forçando e jogando – relembrou.

Zagueira trabalha também como assistente em lojas de celulares — Foto: Arquivo pessoal

Um ano depois de estar jogando na capital em um dos times femininos de maior expressão no estado, mais uma situação a ser contornada pela jogadora. Estudante na época, TK precisou se desdobrar entre os campos, estudos e hospital, onde ajudou a cuida do avô Vicente, que estava doente. Um dos seus maiores incentivadores, estava acamado.

– Ele foi para o hospital sem reconhecer nem a mim e nesse dia eu pensei que perderia ele. Então, falei: “Vô, fica bom logo que o senhor vai me ver jogar em Teresina”. Ele simplesmente queria levantar da cadeira de rodas pra ir. Daí eu disse: “Mas o senhor tem que ficar bom logo”.

– Alguns dias depois ele veio a óbito e eu não sabia de onde eu tiraria forças para continuar, mas ele não queria me ver triste. Queria me ver vencer aquele estadual, então foi na perca dele que descobri forças pra continuar. Ganhamos o estadual aquele ano, e de joelhos naquele Albertão, dediquei aquela vitória a ele – completou a jogadora.

Thaís Kaline com a mãe — Foto: Arquivo Pessoal

Dentro de casa, antes de sair para se aventurar e realizar o sonho de jogar futebol, TK teve que administrar a resistência da própria mãe, que não aceitava ter uma filha como jogadora de futebol. A insistência fez com que dona Francisca Neide aceitasse a decisão da filha e se tornasse sua principal fonte de inspiração.

– Como outras mães, ela nunca quis ter uma filha mulher que jogasse futebol. Porém, não tem quem cuide e me apoie mais que ela, é brigando e lavando meus meiões, preparando minha roupa pra treinar. A fé dela sempre me motiva e me faz seguir em frente – concluiu a zagueira.

Por Stephanie Pacheco/Globoesporte.com PI 

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