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Medo, luta e luto: o relato de quem perdeu parentes e conseguiu vencer a Covid-19 em Picos

Waldinar, além de perder vários familiares, esteve internado por dez dias após contrair o coronavírus.

Em um momento estava bem e no outro sendo internado. A causa? Covid-19. Esta foi a situação do padeiro aposentado Waldinar Alves que passou dez dias internado após contrair a doença. Segundo ele, tudo começou com espirros e tosse. Passou uma semana com os sintomas, mas por ter crises alérgicas não imaginou se tratar da doença.

Após uma semana de tosse e febre se sentiu febril. No fim da tarde, a temperatura estava alta (39º) e já não conseguia respirar com facilidade. Seguiu para o Ambulatório CIEM, local de testagem Covid, e a doença foi confirmada.

Foi encaminhado para o Hospital Regional Justino Luz, unidade de saúde referência no tratamento à Covid e lá foi constatado que 30% de seu pulmão já havia sido afetado, além de estar com indícios de pneumonia. Teve que ser internado.

Dia em que Waldinar recebeu alta do hospital

“Eu não acreditava que estava com a doença porque eu sempre tive crises alérgicas. Após uma semana, senti a febre, dor no corpo, nos olhos e cansaço ao trabalhar. No fim do dia minha esposa percebeu que minha respiração estava muito ofegante. Fui fazer o teste e lá mesmo já fiquei, pois eu precisaria ser internado por conta da saturação do oxigênio e pela pneumonia”, disse ele.

Waldinar contou ao RiachãoNet que, naquele primeiro momento, bateu a preocupação sobre o que viria a seguir, pois se tratava de uma doença nova, sem tratamento 100% seguro. Ele disse ter ficado temeroso também porque já havia perdido familiares para a doença.

“Não somente eu, mas meus filhos e esposa ficamos muito preocupados. Eu não sabia se sairia dali vivo, mas me apegava a Deus. Foi nEle que pus a minha esperança. Minha família já estava abalada, pois havia pouco mais de um mês que eu tinha perdido dois tios para a doença. Eles apresentaram melhoras enquanto estiveram internados e depois pioraram e morreram. Também vi uma sobrinha passar vários dias internada. O tempo todo, principalmente por não conseguir respirar direito, eu pensava que poderia piorar, mas, graças à misericórdia de Deus e às orações que fizeram para mim, consegui sair de lá com vida”, relembrou os momentos de angústia.

O aposentado falou ainda que a agonia aumentou quando viu seu cunhado e a mãe de criação de sua esposa serem internados em seguida.

“Lá em casa estavam me poupando de toda preocupação, mas no dia seguinte a mãe de criação de minha esposa foi internada também, em um hospital particular, mas eu só soube alguns dias depois quando ela teve que ir para o Regional por ter seu quadro de oxigenação alterado. Já meu cunhado, irmão mais novo de minha irmã, foi internado dois dias depois que eu entrei no hospital. Ele aparentava estar um pouco mais cansado que eu. Então meu pensamento ficou sobre o que aconteceria com nós três. Eu me conformava com a ideia de que se Deus quisesse me levar, eu já havia criado meus filhos e deixaria minha esposa amparada. Mas a gente não quer morrer, né? Deus foi bom e salvou a mim e meu cunhado, mas infelizmente a mãe de minha esposa não sobreviveu. Foi outro impacto muito grande em nossas vidas”, falou.

Primeira vez em que sentou na frente de sua casa, alguns dias após liberação hospitalar

Waldinar relembrou as muitas vidas que viu perecer enquanto estava internado e também a transferência de pacientes para outros setores ou para a capital. Ele disse que quando saiu ainda teve que enfrentar outra batalha: as filhas e neto adoeceram.

“Lá a gente via de tudo. Vi muitas pessoas passando envelopadas [mortas]. Vi outros sendo transferidos para a UTI. Uma hora estavam bem, em outra tinham o estado de saúde agravado. Vi pessoas tendo que ir para Teresina porque ficaram muito ruins. Então só a fé para nos ajudar em um momento como esse. Quando saí, no momento de recuperação, vi minhas filhas e meu netinho tendo que se isolar porque contraíram a doença. Então começamos uma nova batalha. Mas a misericórdia de Deus poupou a vida deles”, disse com alegria.

O sobrevivente disse que o cuidado por parte da equipe médica ajudou para que o desespero não aumentasse enquanto estava hospitalizado. Ele alertou a população sobre doença, que é preciso mais conscientização sobre o poder dela.

“Outra coisa que eu queria destacar é o trabalho dos profissionais de saúde. Eles sempre me encorajaram, faziam o que podiam para tirar minhas preocupações, e cuidaram bem de mim. As pessoas precisam entender que nem sempre vai ser algo simples e que ninguém sabe como o vírus vai reagir no seu organismo. Quem tiver consciência tem que evitar ao máximo se expor ao risco. E quem não tiver, precisa ter, até para poupar a quem ama. Essa doença mata, vi muitos dos meus morrerem. Tenho perdido várias pessoas de minha família para ela. Então o conselho que dou é: cuidem-se”, finalizou.

Waldinar disse que, mesmo após liberação hospitalar, passou cerca de uma semana isolado para evitar recontaminação, pois não sabia se poderia acontecer, e também com todos os cuidados dentro de casa com a família, pois ainda tinha medo de infectar os que ainda estavam sem sintomas.

Imagens: arquivos pessoais

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